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4/12/2006 01:08:00

Tragédia na estrada mata 4 jovens na volta de rave

Grupo retornava pela Rodovia Washington Luís depois de 12 horas em festa em Juiz de Fora, quando carro bateu contra mureta. Apenas a garota que estava no banco do carona sobreviveu

Andréia Lopes
Michel Alecrim

Rio - A morte violenta de quatro jovens em acidente de carro na Rodovia Washington Luís, em Três Rios, na tarde de sábado, deixou chocados parentes e amigos. A tragédia ocorreu quando as vítimas voltavam de uma rave em Juiz de Fora.

Plínio Leitão Júnior, 22 anos; Fernando Cardoso de Oliveira Soares, 25; Renato Lau Mota Garcia e Andréa Gonçalves Pereira, ambos de 20, e a sobrevivente Elisa Pringet Valente, 19, voltavam pela estrada após passarem mais de 12 horas na rave Ultra Music Festival. O Corolla onde estavam pertencia ao pai de Plínio, mas era guiado por Fernando.

Elisa, que estava no banco do carona com cinto de segurança, sofreu apenas escoriações, e teria saído do carro sozinha, antes de ser levada para o Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Três Rios. Ela se recupera em casa, em Niterói.

CARRO BATEU NA MURETA

O veículo bateu na mureta divisória das duas pistas da rodovia e chocou-se com muro do outro lado da faixa. “Elisa contou que depois de fazer a curva, o carro bateu de frente”, disse uma amiga da jovem. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, não havia marca de freio na pista.

Domingo, no enterro de Plínio, no Cemitério Nossa Senhora da Piedade, Magé, várias homenagens. “Que a morte do nosso amigo não seja em vão. Se cuida galera”, alertou amigo do rapaz, após a música ‘Como É Grande Meu Amor Por Você’, de Roberto Carlos, ser cantada em coro. A mãe, Neuza, buscou consolo na religião: “Ele concluirá em outra vida o que não conseguiu nessa”.

O jovem era filho do médico Plínio Leitão, morto há cinco meses e conhecido no município da Baixada. O rapaz cursava Direito na Estácio de Sá de Niterói, onde conheceu Andréa. Também de família tradicional de Magé, Fernando era filho do dentista Alexandre Soares, conhecido como Fernando Dentista. O corpo do rapaz foi velado com o de Plínio, mas enterrado no cemitério ao lado, Nossa Senhora da Piedade 2. Já o de Renato Lau seguiu para Porto Alegre, onde seria enterrado.

Em Niterói, onde Andréa morava, seu pai, André, não conseguiu acompanhar o cortejo, no cemitério Parque da Colina. Em estado de choque, foi amparado por amigos e permaneceu sentado. Andréa tinha irmã de 9 anos e morava com o pai e a madrasta. “Ela era meiga e amiga”, descreveu Priscila Simon, 19 anos, que também foi à rave. Conhecidos do grupo estranharam o fato de terem viajado sem descanso. “Eles poderiam ter dormido em hotel na estrada”, disse um amigo da família. Policiais da 108ª DP (Três Rios) vão intimar Elisa a depor.

No Orkut, relato sobre rave com drogas

A paixão pelas raves unia os cinco jovens envolvidos no acidente. Em suas páginas no site de relacionamentos Orkut, alguns eram ligados a comunidades como ‘A Próxima Rave É Quando, Hein?!’, com 1.534 membros, e ‘Quem Tem Boca Vai à Rave!!!’, com 1.356 integrantes. Em diversas comunidades sobre os eventos, freqüentadores descrevem algumas cenas presenciadas nas festas, algumas envolvendo drogas.

“O que acaba com as raves é neguinho no final caindo no chão tendo convulsões... Exagerar na dose não leva ninguém a nada”, alerta um membro. Outro completa: “Festinha muito boa, mas na próxima edição queremos 24h!”.

Nas páginas pessoais dos jovens, mensagens de solidariedade foram deixadas logo após o acidente. “O céu está mais bonito, uma linda estrela subiu para ir ao encontro do papai do céu. Saudades imensas, vai com Deus! Beijos, Deinha!”, escreveu Bianca, amiga de Andréa. Para Fernando, uma tia que assina como Rosa deixou o recado: “Até agora estou tentando crer no que aconteceu... Tanto te pedi pra vir morar conosco...”.

Entre as comunidades que o rapaz pertencia, ‘Eu Não Dirijo...EU PILOTO’, que se intitula: ‘Se você corre, mesmo quando está sem pressa, sai costurando todo mundo...’, e a comunidade ‘Não à proibição de Raves’.

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