Rio - Papai Noel é um símbolo de fantasia e consumo ao mesmo tempo. Na época do natal, é dos pais a tarefa de orientar as crianças dentro desse mundo mágico, que é paralelo à realidades muito difíceis. Mas fica a dúvida de como educar a criança na hora do maior desejo: o presente. Brinquedos, jogos eletrônicos, a imbatível bicicleta, eles querem de tudo, e nem sempre Papai Noel pode atender.
Quando o fim de ano vai chegando, a criança é cobrada por seu comportamento, e se policia para que Papai Noel não a veja fazendo travessuras e aprove seu presente de natal. Como a publicidade atua na tentativa de vender o produto do momento para meninos e meninas, o pai e a mãe devem explicar as dificuldades financeiras, inclusive a do Papai Noel, acredita o psicólogo Mario Serras.
"Com a mídia colaborando para o consumismo, os pais devem explicar, por exemplo, que Papai Noel tem de presentear a milhões de crianças, porque a criança tem um centro narcísico que a faz pensar apenas nela por volta dos 6 anos de idade".
Na opinião de Mário Serra, os pais tem que tomar cuidado para não usarem os presentes como forma de substituir a ausência de carinho. " Independente do consumo, esse é o momento de participação dos pais junto aos filhos. Os pais tem que entender que o presente não supre as faltas do filho". A criança deve saber através dos pais que se o bom velhinho não trouxer o que ela pediu, é porque precisou agradar a mais pessoas.
No dia de natal, muitas famílias se reúnem para distribuir os presentes. Caso exista crianças no meio, é indicado que haja um consenso para que os filhos não entrem em competições pelos melhores artigos. Muitas vezes, porém, a inveja e a tentativa de aparecer mais do que os outros é dos pais, avalia o psicólogo Mário Serra.
"A criança muitas vezes não tem a idéia de valor, do dinheiro gasto. Ela pede de acordo com o que vê na televisão. Aí vai muito do ego dos pais, ao quererem mostras que podem presentear os filhos com artigos caros. Então a família tem que ter esse cuidado e dar presentes caros em momentos distintos".
Para exercitar a solidariedade dos filhos, uma das formas é adotar uma família carente ou uma carta de criança no natal, e presenteá-las. Os Correios já têm 1.200 doadores para atender 10 mil crianças carentes que escreveram para Papai Noel este ano. Basta ir à uma agência e pegar a sua.
Para o psicologo Mario Serra, é importante para a criança que o espírito de religiosidade seja mantido todos os dias do ano entre a família, independente do natal. "O presente vai representar alguma coisa naquele momento, mas o mais importante é a linguagem do afeto para a formação da criança".