Rio - Na maior ofensiva já feita contra a corrupção nas forças de segurança do Rio, Federal prende 78 homens: 77 da PM e um da Polícia Civil. Acusados são ligados ao tráfico ou a caça-níqueis
Rio - Em duas grandes operações coordenadas pela Polícia Federal (PF), 78 policiais — sendo 77 militares — foram presos nesta sexta-feira. De manhã, a ação foi contra PMs acusados de envolvimento com traficantes de drogas. À tarde, os alvos foram agentes ligados à máfia dos caça-níqueis. A PF pediu a prisão do ex-chefe de Polícia Civil Álvaro Lins por lavagem de dinheiro do jogo em sua campanha eleitoral, mas Justiça não concedeu detenção.
O comandante do 14º BPM (Bangu), coronel Celso Nogueira, afastado do cargo de manhã pelo envolvimento de policiais do batalhão com traficantes da Favela do Muquiço, Guadalupe, acabou preso à tarde na operação de combate à máfia da jogatina. Ele é acusado de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Com o oficial, foi detido um soldado. Um policial civil também foi capturado.
A investida da PF incluiu ainda o ‘estouro’ da sede da Adult Fifty Games (Ivegê - Indústria de Vídeo Games), empresa de máquinas de caça-níqueis do bicheiro Fernando Iggnácio, na Rua Fonseca, Bangu. No local, funcionava a antiga fortaleza do ‘capo’ Castor de Andrade.
INTELIGÊNCIA
As ações foram resultado direto das investigações realizadas pelo núcleo de inteligência da Polícia Federal, coordenado até mês passado pelo futuro secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame.
A primeira operação, denominada Tingüi — em função do rio que corta a Favela do Muquiço —, foi deflagrada no início da manhã, quando outros 75 PMs foram presos sob acusação de negociar armas, munição e drogas com bandidos do Muquiço. Do total de acusados, 40 são do 14º BPM — entre eles um tenente —, 26 do 9º BPM (Rocha Miranda), oito do Grupamento Especial Tático-Móvel (Getam), um do 3º BPM (Méier) e um do 4º BPM (São Cristóvão).
Cerca de 380 agentes federais e 330 homens da Corregedoria da PM foram encarregados de deter os policiais. Assim que chegaram aos batalhões, os acusados foram revistados, entregaram fardas e armas e tiveram armários vistoriados. A Justiça determinou que as casas dos PMs fossem averiguadas.
Segundo o superintendente da PF, Delci Teixeira, a investigação começou há oito meses, após descoberta de angolanos, suspeitos de ensinar técnicas de guerrilha e manuseio de armas a bandidos da facção Amigos dos Amigos (ADA) no Muquiço. Considerada extensão dos pontos de venda de drogas do Complexo da Maré, a favela é disputada com quadrilha de Acari, ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP).
Após escutas telefônicas flagrarem a ligação dos policiais, a PF pediu ajuda à Corregedoria da PM para tentar indentificar o grupo. Durante as investigações, os PMs também foram filmados. Todos ficaram no Batalhão Especial Prisional (BEP) por pelo menos 30 dias.