Rio - O que era para ser uma simples ida ao banco terminou em tragédia para o microempresário Jonas Eduardo Santos de Souza, 34 anos, no início da tarde. Ele foi morto com um tiro no peito disparado por Natalício de Souza Marins, segurança do Itaú da Rua Nilo Peçanha, no Centro, do qual a vítima era cliente há pelo menos 10 anos. O vigilante atirou em Jonas durante discussão que começou porque o microempresário ficou preso na porta giratória. Natalício foi levado à 5ª DP (Lapa), onde depôs e foi liberado. Ele responderá por homicídio doloso, mas aguardará o julgamento em liberdade.
Segundo o depoimento do vigia e de três funcionários do banco, entre eles o gerente, Jonas teria se irritado quando a porta giratória travou. Ele retirou os objetos metálicos dos bolsos, mas teria recusado-se a tirar o cinto. O segurança só liberou sua entrada depois que o gerente pediu a Jonas que mostrasse o cartão do Itaú comprovando que era correntista. Ao entrar, Jonas teria ido em direção ao vigilante, xingando. Depois de levar um chute e um soco, Natalício deu um tiro no peito de Jonas, que morreu na hora.
OUTRA VERSÃO
A versão dada ao delegado pelos funcionários do banco não foi a mesma relatada por testemunhas. Quem estava na fila para entrar na agência não confirmou a ocorrência de luta corporal. Segundo o empresário Alexandre Knoclsh, que esperava logo atrás da vítima, Jonas deixou tudo o que tinha na porta giratória. “Quando ele entrou, os dois discutiram, um apontou o dedo para a cara do outro, o segurança se exaltou e atirou.”
A promotora de vendas Rosa Maria de Souza também disse não ter visto briga. Cliente da agência, afirmou que Natalício era agressivo. “Ele exigia que as pessoas tirassem tudo da bolsa. Isso revoltava a todos.”
O crime revoltou quem estava no local. A liberação de Natalício deixou a família da vítima indignada. “Esse é o País que nós vivemos. Enquanto mãe rouba pote de manteiga e é condenada, o assassino de trabalhador não fica preso um dia”, disse o mecânico Jezué Santos de Souza, 41, irmão de Jonas.