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28/12/2006 20:38:00

Novo balanço eleva para 15 o número de ataques

Rio - Novo balanço divulgado há pouco pela Secretaria de Segurança Pública elevou de 12 para 15 o número de ataques registrados no estado desde a madrugada desta quinta-feira. Das 14h até as 20h, mais dois ônibus foram incendiados, em Niterói e em Mesquita. Com isso, subiu para onze o número de ônibus queimados. 

Em Itaboraí, bandidos lançaram bombas de fabricação caseira contra um prédio no qual estão instalados uma agência da Caixa Econômica Federal e um restaurante popular. Ninguém ficou ferido.

O balanço da secretaria não inclui o ataque a um ônibus  registrado em Senador Camará e a duas cabines policiais localizadas em frente a dois shoppings em diferentes bairros da capital: Del Castilho e Vicente de Carvalho.

O número de mortos, segundo os dados oficiais, permanece em 8, sendo dois PMs, nove civis e sete são supostos bandidos. Já o número de feridos foi atualizado para 23. Um policial civil lotado na Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (DRAE) foi baleado durante confronto na Vila do Cruzeiro, na Penha.

O restante dos ataques foram contra delegacias, bases policiais e viaturas. O ataque mais grave foi contra um ônibus da viação Itapemirim, na avenida Brasil, em que sete pessoas morreram carbonizadas. Quatro passageiros continuam internados, sendo um em estado grave.

O total de bandidos presos subiu para sete. Três homens encontrados com as mãos queimadas foram detidos sob a suspeita de participação no ataque aos ônibus e levados para a 22 DP (Penha). A polícia conseguiu apreender dois fuzis, quatro pistolas e duas granadas.

A polícia reforçou o policiamento em 12 favelas do Rio. A partir desta noite as ruas também receberão o reforço de mais 92 carros da Polícia Civil.

Represália contra ação de milícias policiais

Os ataques seriam uma represália à ação de milícias policiais, que já dominam mais de 80 favelas. A justificativa foi espalhada em cartazes jogados durante as ações (foto).

O secretário estadual de Segurança Pública, Roberto Precioso, porém, atribuiu os atentados a possíveis mudanças no sistema prisional do estado em função da troca de comando no governo do Rio.

Segundo ele, as ações da polícia evitaram uma tragédia maior. “Conseguimos evitar, apesar das lamentáveis mortes de policiais e inocentes, que houvesse uma tragédia de dimensão maior, como a ocorrida em São Paulo, onde centenas de pessoas foram assassinadas”, afirmou.

Mas as próprias autoridades divergem sobre as motivações. O secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, negou que a ordem dos ataques tenha saído de dentro dos presídios. Segundo ele, escutas revelariam que o traficante Gim, da Cidade de Deus, na zona oeste da cidade, se reuniu com traficantes de outras facções criminosas no Morro da Mangueira, na zona norte, para organizar as ações criminosas. Os ataques seriam uma represália à ação de milícias em favelas cariocas.

Já a governadora Rosinha Garotinho atribuiu os ataques a uma suposta tentativa de acabar com o regime diferenciado nos presídios.

Bandidos usaram carro blindado

O terror começou a se espalhar pela cidade à meia-noite, em pelo menos 20 carros lotados de homens armados com fuzis e granadas. O ataque mais grave ocorreu na Avenida Brasil, na altura do Cordovil, onde um ônibus da Viação Itapemirim com 28 passageiros que fazia a viagem de Cachoeiro de Itapemirim (ES) a São Paulo (SP) foi incendiado. Sete pessoas morreram carbonizadas.

Os alertas enviados pela Polícia Civil, terça-feira, sobre o plano de ataque tramado pelo Comando Vermelho em conjunto com outras facções não impediram que traficantes voltassem a impor o terror na cidade. Durante a madrugada, oito delegacias, cabines da PM e até o Hospital Getúlio Vargas foram fuzilados.

Foto de Márcio Mercante / Ag. O Dia

Mãe morre defendendo o filho

Em frente ao Botafogo Praia Shopping, onde uma cabine foi atacada, matando a vendedora ambulante Suely Maria Lima de Souza, 33 anos, ferindo seu filho Gabriel, de 4, no braço e na cabeça, e atingindo no braço o soldado da PM Fábio Chot da Silva, o panfleto dizia: "Rosinha e Garotinho apóiam a milícia contra o pobre e favelado. A milícia massacra os pobres da favela e a resposta é o rio de sangue".

No momento do ataque, a ambulante se jogou em cima do filho para protejê-lo. Já o PM morto tirava o seu primeiro serviço na cabine. Os bandidos passaram atirando de dentro de uma Pajero blindada, mas tarde encontrada próxima a Ladeira dos Tabajaras.

O primeiro ataque registrado foi na Barra da Tijuca, na Avenida Ayrton Senna, a pouco mais de um quilômetro do local onde será instalada a Vila Pan-Americana. Dois PMs foram atacados a tiros de fuzil. Um morreu e o outro ficou ferido.

Homem morre após registrar ocorrência em delegacia

Outro "bonde" começou a atacar Jacarepaguá: 32ªDP (Taquara), Favela Bateau Mouche e Morro da Chacrinha, na Praça Seca, até chegarem à 28ªDP (Campinho). Um homem que havia feito um registro de ocorrência foi baleado e morreu na entrada da delegacia, no momento que saiu para fumar um cigarro. Pelo menos seis carros que estavam estacionados no pátio da delegacia foram perfurados a tiros.

Na Rua Joana Angélica, uma das mais nobres de Ipanema, um PM foi morto a tiros. Outro homem morreu após dar entrada no Hospital Salgado Filho, no Méier, depois de ser baleado durante um ataque a viaturas ou cabines da PM na área do 3º BPM (Méier).

Na Rua das Rosas, em Vila Valqueire, três policiais militares ficaram feridos e a viatura em que estavam foi incendiada. O Hospital Getúlio Vargas também foi alvo dos traficantes. Assim como a 12ª DP (Hilário de Gouvêia), a 6ªDP (Cidade Nova), onde uma granada foi atirada, a 18ªDP (Praça da Bandeira), e até mesmo a 5ªDP (Gomes Freire), que fica ao lado do prédio da chefia da Polícia Civil. A 29ª (Madureira), a 4ª (Central) e a 12ªDP (Copacabana) também viraram alvos.

O estudante Rodrigo Silva, 21 anos, foi atingido por uma bala perdida quando seguia para casa na volta do trabalho. Ele dirigia um Fiat Uno vermelho que teve o párabrisa dianteiro perfurado quando passava no viaduto que liga a Rodovia Washington Luiz com a Avenida Brasil, durante os ataques ocorridos na entrada do Conjunto Residencial da Cidade Alta, em Cordovil, na Zona Norte do Rio. A vítima foi socorrida e levada para o Posto do Corpo de Bombeiros da Avenida Brasil, em Parada de Lucas, e depois encaminhado para o Hospital Getúlio Vargas, foi operado e permanece internado.

Ataques também na Região Metropolitana

Duas bombas caseiras foram jogadas nesta madrugada em dois pontos de Itaboraí, na Região Metropolitana. O primeiro foi por volta das 2h contra uma agência da Caixa Econômica Federal. Vinte minutos depois, o Restaurante Popular da cidade foi atacado. A Polícia Militar acredita que os ataques estejam ligados aos atentados ocorridos.

Em Itaboraí, ninguém, ninguém ficou ferido. Policiais Federais seguiram para a Caixa Econômica Federal, acompanhados de peritos. De acordo com policiais militares, os Postos de Policiamento Comunitários de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí tiveram a segurança reforçada, assim como o patrulhamento nas ruas. Em Niterói, a policia também reforçou o policiamento nas proximidades do Presídios Edgar Costa, no Centro, e na Penitenciária Vieira Ferreira Neto, no Fonseca.

Terror continuou pela manhã

Por volta de 7h15, cerca de 20 traficantes da Favela Vila Aliança, em Bangu, colocaram fogo em três ônibus. Um coletivo foi interceptado pelo bando na Rua Maria Estrela com Estrada da Água Branca. Ao mesmo tempo a outra parte do bando ateava fogo em dois ônibus na Estrada do Engenho. Bombeiros do quartel de Bangu e policiais do 14ºBPM (Bangu) foram acionados.

Um Posto de Policiamento Comunitário (PPC) do 6º BPM (Tijuca) na Estrada Velha da Tijuca, no Alto da Boa Vista, foi atingido por vários tiros às 8h. Os disparos foram feitos por ocupantes de um Fiat Stylo preto. Na troca de tiros, dois policiais foram baleados. O segundo sargento da PM Nílton Serciano Batista Filho foi atingido por um tiro na perna esquerda e levado para o Hospital do Andaraí, onde será operado. O soldado Anderson Nepomuceno foi baleado no braço e medicado no Hospital Ordem Terceira da Penitência, mas será transferido para o Hospital Central da polícia Militar (HCPM), no Estácio. 

Participaram da cobertura: Adriana Cruz, Aluízio Freire, Celso Brito, Leslie Leitão, Maria Inez Magalhães, Celso Britto, Maria Mazzei e Roberto Pimentel

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