Rio - Os ataques criminosos que aterrorizaram os cariocas ontem, repercutiram internacionalmente, se tornando destaque nos principais sites de jornais do mundo. A chegada de milhares de turistas para Copacabana, preocupa.
Na maioria das páginas de jornais na Internet, as celebrações mais tradicionais, como o Réveillon de Copacabana - que acontece daqui a dois dias, são lembradas nas matérias. O site de notícias da CNN lembra a proximidade dos eventos com as comemorações da virada.
O ‘New York Times’ também destaca que os ataques aconteceram no início da alta temporada, com o verão. O site do espanhol ‘El País’ descreve todos os atentados, e até especula as prováveis causas.
Memória: PCC parou São Paulo três vezes
O medo que paralisou o Rio de Janeiro ontem assolou três vezes a maior cidade do País este ano. Em São Paulo, a violência orquestrada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) fez quase 150 mortos. Os alvos foram policiais, como no Rio, além de guardas municipais, agentes penitenciários e civis. Os atentados miraram delegacias, bancos e fóruns. Ônibus foram queimados.
A primeira onda de terror foi em maio e causou 138 mortes em 373 ataques. Por oito dias, o medo generalizado fez com que comércio, empresas e repartições públicas fechassem mais cedo. Os ataques foram retaliação à decisão do governo de transferir de prisão os líderes da facção. Houve rebelião em 78 cadeias.
Dois meses depois, em julho, por cinco dias, o PCC voltou a atacar delegacias, casas de policiais, revendedoras de veículos, agências bancárias, supermercados e ônibus. Do total de 452 ações, as principais envolveram a destruição de ônibus. Com medo, a maioria das viações interrompeu os serviços, deixando mais de 2 milhões de pessoas a pé.
Em agosto, mais atentados do PCC: 198 em 18 cidades. Nove suspeitos foram mortos em confrontos. Numa das ações mais violentas, bomba caseira destruiu a fachada do prédio do Ministério Público Estadual.
Ainda em agosto, numa ação inédita, o repórter Guilherme Portanova e o auxiliar técnico Alexandre Coelho Calado, funcionários da TV Globo, foram seqüestrados perto da emissora. Após ficar 40 horas em poder dos bandidos, Calado foi libertado com DVD do PCC que tinha de ser exibido pela emissora para Portanova também ser solto. A exigência foi cumprida e o jornalista, posto em liberdade na madrugada do dia 14. No vídeo, exibido no Estado de São Paulo, homem mascarado lia texto com exigências da facção, mesma estratégia adotada por grupos terroristas, como a Al Qaeda.