Rio - Motoristas pegos alcoolizados ao volante não terão mais como escapar do flagrante. Já está em vigor norma do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que orienta agentes que atuam no trânsito a fazer constar no registro de ocorrência ou no auto de infração sinais de embriaguez ou consumo de drogas. A medida fecha o cerco aos que se recusam a fazer o exame de alcoolemia (nível de álcool no sangue) ou teste de bafômetro. A Secretaria Estadual de Saúde também passará a examinar as vítimas de acidentes atendidas nas Emergências de hospitais do estado para identificar nelas sinais de uso de álcool.
Desde que a medida entrou em vigor, policiais do Batalhão de Trânsito (BPTran) já aplicaram a nova norma pelo menos duas vezes. PMs e guardas municipais podem descrever os sinais de embriaguez como odor de álcool no hálito, sonolência, olhos vermelhos, vômitos, fala alterada, dispersão e dificuldade de equilíbrio e recordação de data e hora ou de seu endereço residencial, além de agressividade e exaltação. Essas informações terão o mesmo peso de um exame de alcoolemia. Até então, a prova só poderia ser obtida com testes, aos quais os condutores não são obrigados a se submeter.
De acordo com o Artigo 276 do Código de Trânsito Brasileiro, motoristas que apresentem concentração de seis decigramas de álcool por litro de sangue já se encontram impedidos de dirigir. Condutores flagrados sob efeito de álcool ou drogas cometem infração gravíssima, perdem sete pontos na carteira e podem ter a habilitação e o carro retidos.
CAMPANHA EDUCATIVA
Quem foi socorrido em hospitais do estado ao sofrer acidente de trânsito também passará por uma espécie de teste para verificar se está embriagado, conforme antecipou a coluna ‘Informe do DIA’. Segundo a Secretaria de Sáude, esses pacientes serão submetidos a raspagem da mucosa oral — parte interna da bochecha. O material colhido será analisado em até uma semana.
O resultado, no entanto, não terá fins punitivos e será mantido sob sigilo. A idéia é usar a informação como dado estatístico que vai dar a direção a futuras campanhas de prevenção a acidentes de trânsito e por uma direção mais segura.
RISCO CRESCE A CADA DOSE
O consumo de bebidas alcoólicas é responsável por 36% das mortes provocadas por acidentes de trânsito, no Rio. Só em 2006, o número total de pessoas que perderam a vida ao volante depois de terem bebido chegou a 1.430, segundo o Corpo de Bombeiros.
Para superar o limite máximo permitido pelo Código de Trânsito Brasileiro — de 0,6 grama de álcool por litro de sangue —, não é necessário consumir mais que três doses. Essa quantidade já é suficiente para deixar o motorista inapto para dirigir.
Se comparado com uma pessoa totalmente sóbria, o risco de quem consome bebida alcoólica se envolver em acidentes se multiplica a cada dose. Um copo de bebida, por exemplo, pode aumentar em 1,4 vez o perigo de uma colisão.
Já os riscos de quem ingere três doses pula para 11,1 vezes a mais que quem não bebeu nada alcoólico. Quem consome cinco doses corre 48 vezes mais risco de provocar um acidente do que um motorista abstêmio.
BATIDA E ATROPELAMENTO NA BRASIL
Três pessoas ficaram feridas — duas em estado grave — em acidente provocado pela chuva que caiu ontem de madrugada, na pista central de descida da Avenida Brasil, altura de Ramos. Tatiane da Silva Lima, 25 anos, estava com o namorado, Sidimar Júnior, 23; o irmão, Alexsander da Silva Lima, 30; e a cunhada, Jaqueline Areas, 28, no Palio LCA-5685, comprado há uma semana, e perdeu o controle do veículo em ondulação na pista.
O carro rodou várias vezes e bateu nas muretas de ambos os lados da via, parando na seletiva. Tatiane, Sidimar e Jaqueline conseguiram sair do veículo, mas Alexsander, com corte profundo no lado esquerdo da cabeça, continuou no carro. Quando Tatiane tentava retirar o irmão do Palio, o ônibus da empresa de turismo Cruzeiro do Sul HVK-5950 não conseguiu desviar e atingiu os jovens e o carro.
Com a violância do impacto, Tatiane ficou presa à janela do veículo e Alexsander foi arremessado. Jaqueline foi atingida de raspão na perna. O casal de irmãos foi levado para o Hospital Geral de Bonsucesso em estado grave. Alexsander e Jaqueline estavam sendo levados por Tatiane e Sidimar à rodoviária Novo Rio e pegariam ônibus para a Ilha Grande, onde pretendiam passar férias.