Rio - A morte brutal do pequeno João Hélio deixou os pais no meio de encruzilhada: vale abrir mão do cinto de segurança no filho para, num possível assalto, ter tempo hábil de tirá-lo das mãos dos bandidos? No trágico assalto, os facínoras arrancaram antes que Rosa Cristina, mãe de João, o soltasse. O pânico já faz com que responsáveis assumam dois riscos. Levar multa e outro, bem pior: o de perder o filho para a violência do trânsito.
A atriz Nívea Stelmann, que foi assaltada na Barra mês passado com o filho Miguel, 3 anos, viveu o drama de Rosa na pele. Na pressa, o menino bateu com a cabeça no teto. “Na hora em que você está com uma arma na cabeça, você não pensa”, desabafa. Nívea, porém, não se arrepende do cinto.
O mesmo não acontece com o casal Denise Cristina da Conceição, 37 anos, e Sílvio Rogério da Rocha, 43. O filho deles, Caio, 8, anda solto. “Quando ele era pequeno, eu ia atrás com ele. Agora, como está grandinho, viaja sem cinto, mas com mobilidade. Digo para ele sempre seguir minha orientações, caso aconteça algo”, disse.
Apesar de lamentar a morte de João Hélio, o presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Marcos Musafir, reforça a recomendação para o uso do cinto. “A mãe estava correta e nós, ortopedistas, nos solidarizamos com a família. O que aconteceu foi um caso raro que não tinha ouvido falar em 20 anos de estudo”, declarou o médico.
LESÕES FATAIS
Segundo Musafir, colisões podem causar lesões fatais de crânio, tórax e abdômen e deixar seqüelas. O trauma de trânsito é a principal causa de morte de crianças de 3 a 12 anos.
O presidente do Sindicato das Auto-Escolas do Estado, João Pinto Ribeiro, também defende o cinto e educação de trânsito para as crianças, que poderiam ser orientadas de como se soltar.
Além da proteção contra lesões em caso de batida, o uso do cinto de segurança é obrigatório nos bancos dianteiro e traseiro. O motorista que transportar crianças sem ele pode pagar multa de R$ 314,91 e receber sete pontos na carteira. A Guarda Municipal do Rio aplicou no ano passado 27.907 multas pela falta do cinto tanto na frente quanto atrás. O prefeito Cesar Maia defende a punição: “Um ato de barbarismo não pode levar a outro que ceifaria centenas de vidas pelo não uso do cinto”.