Rio - Praticamente 9 em cada 10 universitários assumem que dirigem alcoolizados ou aceitam carona de quem ingeriu bebida alcoólica. A constatação está na pesquisa da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot) em parceria com o Ministério dos Transportes, divulgada ontem.
“Infelizmente, os dados mostram que muitos jovens ainda vão morrer no trânsito sob efeito de álcool”, prevê o presidente nacional da Sbot, Marcos Musafir. “Estatísticas comprovam que 70% dos acidentes com mortos têm o álcool como motivo. Quem não bebe também corre alto risco de morte, pois 100% dos jovens ouvidos assumiram que sai em grupo de carro com amigos, e 46% admitem pegar carona mesmo que o condutor beba”, relata Cesar Fontenelle, presidente da entidade.
Apenas um copo de cerveja ou cálice de vinho já afeta a percepção de distâncias e luzes do motorista. Três chopes comprometem a coordenação motora.
Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), em 2005 46% dos motoristas envolvidos em colisões com vítimas tinham menos de 29 anos. Índice maior que o do ano anterior. Por isso, os jovens serão o foco da Semana Nacional de Trânsito deste ano, que acontece entre 18 e 25 de setembro.
Campanha educativa em Copa
Para alertar os jovens sobre a gravidade da mistura de álcool e direção, a campanha ‘Amigo da Vez’, do Ministério dos Transportes, invadirá Copacabana amanhã. A idéia é conscientizar sobre a necessidade de se escalar alguém do grupo para ser o motorista oficial, o que não beberá e levará todos com segurança para casa.
Estudantes de Enfermagem da UFRJ estarão em estande no Posto 6 distribuindo panfletos educativos para quem passar pela Av. Atlântica. Eles aplicarão testes de controle motor, equilíbrio e reação, entre outros.
A bares e restaurantes, levarão bafômetros descartáveis para medir o consumo de álcool de quem está se divertindo. Quem passar na prova ganhará porta-copos com o símbolo da campanha. “Não podemos deixar de lembrar do uso do cinto de segurança. Muitas vítimas de acidentes não teriam morrido ou ficado com seqüelas graves se estivessem com o cinto”, informou Fernando Pedrosa, coordenador do ‘Amigo da Vez’.
PENA DE R$ 1 MIL POR MORTE
Além da mistura álcool e direção, outra causa de acidentes fatais são os pegas. Mas a pena para quem mata ao volante em alta velocidade nem sempre é dura. Dia 18, a juíza Denise Vaccari Machado Paes, da 19ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, condenou Antônio Augusto Farias a comprar R$ 1 mil em cestas básicas e a prestar serviços comunitários por 7 horas semanais durante dois anos e meio.
Como era réu primário, foi o castigo por ter avançado sinal vermelho e chocado seu Honda — com o qual fazia pega — contra Fiat Uno que cruzou seu caminho. Gustavo Filgueiras Damasceno foi lançado para fora do Fiat e morreu na hora. Condenado e vítima, à época, tinham, respectivamente, 20 e 26 anos.
O acidente foi em 18 de julho de 2003, na esquina da Rua Maria Quitéria e Avenida Viera Souto, Ipanema. Duas pessoas se feriram. A juíza determinou a suspensão do direito de Antônio de dirigir por 2 anos e meio. Mas, segundo o Detran, até agora ele não devolveu a habilitação.