Rio - Depois do ‘GatoNet’ — desvio de sinal de TV a cabo — , uma nova modalidade criminosa com o uso de tecnologia está sendo explorada nas favelas: o fornecimento clandestino do serviço de banda larga da Internet. Se as TVs ilegais são mais operadas pelas milícias, a Internet, por sua vez, tem a participação do tráfico. Nesta quarta-feira, mais um ‘provedor’ clandestino foi localizado pela polícia, desta vez na Cidade de Deus, Jacarepaguá. Segundo a polícia, cerca de 400 assinantes usufruíam do ‘gato’.
O primeiro caso do gênero foi descoberto na tarde de terça-feira por agentes do Serviço Reservado do 14º BPM (Bangu) na Favela da Metral, Vila Kennedy, Bangu. Duas pessoas foram presas e autuadas por crime contra as telecomunicações.
Comissão para tráfico
Segundo os investigadores, o esquema funcionava com a aprovação dos traficantes que controlam a comunidade, que recebiam participação nos lucros. Cada morador pagava R$ 40 para ter a conexão à rede.
Na Cidade de Deus, a central funcionava em uma casa na localidade Karatê. Os policiais chegaram até a sede da ‘empresa’ através de denúncia anônima. Fábio Pereira Duarte, 26 anos, e Alessir Chagas Nilo, 28, foram presos. Os usuários pagavam entre R$ 25 e R$ 30 para se conectar à Internet em banda larga, que funcionava 24 horas por dia.
Foram apreendidos uma central de transmissão de Internet, dois notebooks, sete monitores, quatro CPUs, um distribuidor, três aparelhos telefônicos, placas de vídeo e gravadores de CDs e DVDs.
Segundo investigadores, a ‘empresa’ funcionava com a permissão do tráfico e era operada por técnicos em telefonia, que recebiam percentual do valor da taxa paga por moradores. O restante do lucro ia para o chefe do tráfico da localidade, Jorge Ferreira, o Gim.
‘Empresa’ tinha até contrato
Na Favela da Metral, na Vila Kennedy, a central clandestina de Internet funcionava como se fosse uma empresa legalizada. Os clientes assinavam um contrato de prestação de serviços de acesso à rede (24 horas) com a Reallink Informática, cuja responsável era Maria de Fátima Pereira Pavão, que foi presa com Alexandre da Silva Barbosa. Ele se apresentou como técnico de informática da ‘empresa’.
Segundo agenda apreendida pelos policiais do 14º BPM (Bangu), pelo menos 50 moradores eram cadastrados como clientes. Os reajustes eram baseados nas tarifas de empresas regulares de telefonia. Na sede, com escritório na Avenida Guianas, policiais recolheram quatro computadores, laptop, quatro monitores, cabos, documentos e um talão de recibos. O material foi encaminhado para perícia.