Rio - O comércio amanheceu fechado ontem na Favela da Metral, na Vila Kennedy, Bangu, em protesto contra a ocupação policial desde sábado. Manifestantes — alguns com os rostos cobertos — reclamaram que policiais estariam invadindo suas casas e obrigando comerciantes a dar lanches e bebidas para a tropa de graça. A Escola Municipal Café Filho também não abriu.
Pela manhã, um pai interveio contra policiais que revistavam seu filho, um mototaxista de 28 anos. “Acho que eles têm que fazer o trabalho deles, mas não podem sair agredindo as pessoas como se todos fossem bandidos”, disse o aposentado, de 61 anos. O rapaz foi imprensado contra parede e revistado, depois que um policial lhe aplicou uma ‘gravata’. O jovem foi liberado, pois não tinha armas nem drogas.
Outros moradores denunciaram que os PMs estariam arrombando portões de casas. “Eles dizem que o tráfico saiu e quem vai entrar é a milícia”, disse uma mulher.
No Largo do Barrão, onde segundo os PMs funcionaria feira de drogas durante bailes funk, as lojas estavam com portas fechadas. A Metral é a única favela ainda dominada pelo Comando Vermelho na região. Os bandidos teriam se refugiado no Complexo do Alemão.
Comandante vai apurar as queixas
O comandante do 14º BPM (Bangu), coronel Paulo César Lopes, disse que vai apurar as denúncias contra os PMs e, se constatar irregularidades, vai puni-los. Trinta policiais se revezam na Metral, por tempo indeterminado, à caça do bandido Bocão da Grota, que matou o sargento Aílton Lima da Fonseca, dia 15.
À tarde, policiais do batalhão, com apoio da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada, que usou detector de metais, fizeram operação na área. Houve apreensão de maconha, escopeta e munição calibre 12, parte de fuzil e quatro granadas. O material estava enterrado.