Rio - A Polícia Federal (PF) do Rio procura Ricardo Jorge Barbosa, o único foragido brasileiro da Operação Platina — que resultou na captura de oito integrantes de esquema no Brasil de lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas, quinta-feira. Ricardo é proprietário do Auto Posto Barra do Vale, em Barra Mansa, Sul Fluminense, que seria um dos pontos de lavagem de dinheiro da quadrilha.
Como o jornal O DIA noticiou com exclusividade ontem, no posto de gasolina foi encontrado caderno com anotações sobre pagamento de propinas a policiais rodoviários federais. Nele, consta que alguns patrulheiros receberiam até R$ 1,5 mil para liberar a circulação de caminhões de combustíveis ‘batizados’ na Via Dutra.
Ontem, equipes da PF votaram ao Sul Fluminense porque o posto Madrugadão, um dos oito fechados durante a operação, localizado em Barra do Piraí, teve o lacre violado e voltou a funcionar. Os agentes da PF também fecharam o Auto Posto Barra do Vale, que continuava aberto.
A quadrilha — chefiada pelo colombiano Alexandre Pareja Garcia, 36 anos, preso pela PF em setembro — chegou a movimentar R$ 40 milhões em apenas uma semana. Os carregamentos de cocaína — uma tonelada por mês, no total — não passavam pelo Brasil, mas o dinheiro arrecadado era lavado no País em negócios ligados ao petróleo e imóveis. Em três anos, Pareja acumulou cerca de US$ 50 milhões.
O outro foragido da Operação Platina é o traficante Jon Jairo Quintero Cruz, que vive na Colômbia.
Prejuízo de R$ 100 milhões
Segundo a PF, o bando perdeu R$ 100 milhões com a Operação Platina. Do bando de Pareja, que atuava no Brasil lavando dinheiro do tráfico há cinco anos, seis acusados foram presos no Rio, um em Brasília e outro em São Paulo. Além disso, a Justiça bloqueou 92 contas correntes em nome de integrantes da quadrilha e seqüestrou 42 bens no estado: oito postos de gasolina, uma distribuidora de combustível, 28 imóveis residenciais, um lote, a matriz da transportadora Petrosol e três escritórios.
Na operação, também foram apreendidos nove automóveis, sendo seis deles blindados, que estão sendo levados hoje para superintendência da PF em Brasília. E também jóias, relógios, dinheiro e documentos.