Rio - O PM Guaracy de Oliveira da Costa, 27 anos, assassinado com seis tiros domingo, numa tentativa de assalto no Engenho de Dentro, saía de casa para trabalhar quando foi rendido por dois ladrões na Rua Borja Reis com Dois de Fevereiro. A dupla levou Palio Weekend e pistola do policial, e o executou. Um cinegrafista amador flagrou as cenas após o ataque ao soldado. As imagens foram exibidas na segunda-feira pela TVE, no telejornal Notícias do Rio, às 12h30.
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Trechos do vídeo mostram o PM ensangüentado pedindo socorro pelas ruas. Ele cai baleado na calçada, depois caminha pedindo ajuda. Pedestres e motoristas evitam a vítima, que quase foi atropelada e cai de novo perto de uma van. “Não vou creditar isso (a falta de socorro) à população. Ela é solidária. É muito mais o pânico, o terror que as pessoas sentem”, disse Sérgio Cabral nesta segunda-feira.
Honras militares e lágrimas
Cerca de 200 pessoas compareceram ao enterro do policial — que trabalhava na segurança da família — , que teve honras militares, com a presença de banda da Polícia Militar. A cerimônia ocorreu sob forte chuva. Parentes e amigos, emocionados, mal conseguiam falar sobre o assassinato do policial militar.
A irmã do soldado, Jaine de Oliveira da Costa, de 40 anos, era a imagem da tristeza e da dor. Mesmo com dificuldades para articular as palavras, ela lembrou que Guaracy era um homem de família.
“Ele sempre fez questão de ficar perto dos familiares. Guaracy teve uma ótima conduta nos seis anos em que esteve na polícia. Ele estudou muito para realizar o sonho de ser policial”, lamentou Jaine.
Também presente, o assessor de segurança da Coordenadoria Militar da Casa Civil — onde trabalhava Guaracy —, major Paulo Vilar, disse que o soldado será lembrado por todos como um excelente profissional e ótima pessoa. “Ele era querido por todos. Estava na Casa Civil por méritos”, declarou.
CARREIRA NA PM
O soldado Guaracy entrou na PM em 2001, apesar dos apelos contrários da família, que tinha muito medo. Ao sair do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cefap), ele passou pelo 2º BPM (Botafogo) e pela 1ª Companhia Independente da PM (Palácio).
Há dois anos, lotado na Coordenadoria Militar da Casa Civil, o soldado trabalhava na segurança do Palácio Guanabara, do governador e de sua família. Diante do quadro de insegurança e das notícias quase diárias de mortes de policiais, Guaracy já imaginava como seria o dia em que estivesse diante de algum caso de violência.
“Ele deixava a arma entre as pernas quando estava no carro e costumava dizer que reagiria a um assalto”, revelou a sobrinha, Gabriela Silva, estudante de 20 anos.
Apesar de a família ter sido contra o seu ingresso na PM, Guaracy não desistiu e fez o concurso para entrar na corporação. Era um sonho de criança, disse a prima Suzete da Silva, 40.
“Ele tinha orgulho da PM. Tinha muito cuidado com a farda e, por questões de segurança, eram poucas as pessoas que sabiam o que ele fazia”, contou. Nas horas vagas, o PM gostava de jogar futebol e de namorar. Segundo amigos, Guaracy era tranqüilo e brincalhão. “Ele guardava a vida de autoridades e a violência levou sua vida”, lembrou uma vizinha.