O Dia Online
Publicidade Assine O Dia FM O Dia Expediente Classificados O Dia Fale Conosco   Busca
Rio
 CAPA
 O TEMPO NO RIO
 Epidemia de dengue
 Caramujos
 Cristo Maravilha
 Chefinho da Rocinha
 Fique Vivo
 Rio de Chinelos
 Buraco da Lacraia
 Blog da Segurança
 Força militar
 Mistura Interativa
 Samba de rede
 Pós-pop
Colunas
Parceiros
 
 
17/5/2007 01:33:00

Cartilha para crianças de São Gonçalo reprovada

MP instaura inquérito para investigar denúncia do Sepe de que conteúdo fere a ‘dignidade humana’ por fazer aluno dizer que é burro

Denise Oliveira

Rio - Uma cartilha de alfabetização usada em 78 escolas de São Gonçalo virou alvo de denúncia ao Ministério Público. O livro ‘Chão de Estrelas’, de João Batista Araújo e Oliveira, tem trechos que levam os alunos a repetir versos onde se denominam “burros”. O Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) entrou com representação denunciando o conteúdo do material, que classifica como “pegadinhas”, e a compra sem licitação das cartilhas por R$ 850 mil. O MP instaurou inquérito para investigar se a cartilha é inadequada ao ensino.

O livro é usado nas turmas de alfabetização. Na lição 31, o professor lê frases e as crianças respondem com a expressão: “Comigo, quatro”. “Fui andando por um caminho; eram três; comigo, quatro. Fomos os três andando; comigo, quatro. Subimos os três no morro; comigo, quatro. Encontramos três burros; comigo, quatro”. O manual do professor do mesmo livro incentivaria a uma segunda pegadinha, com resposta “eu não”. “Fui à escola. Eu não. Aprendi muito. Eu não. Sou inteligente. Eu não”.

O Sepe pediu a suspensão do método, sob alegação de que agride a dignidade humana. “A justificativa de que tal atividade serviria para chamar a atenção dos alunos através de “pegadinhas” é uma afronta à seriedade dos educadores”, diz. Mestre em Educação pela Uerj, Maria Alice Ormondi também faz críticas à cartilha. “A idéia de cartilha é algo ultrapassado. Ela não pode ser pronta, tem que ser construída pelo próprio alfabetizando, a partir do contexto de vida, cultural, ideológico, familiar. O burro, por exemplo, é um animal útil. Mas na cidade é algo pejorativo”, disse.

A secretária de Educação de São Gonçalo, Marina Esteves, explicou que não se trata de uma cartilha, mas um método, com material como fantoches, 130 livros de leitura e CDs.

“O autor é um dos pedagogos mais renomados do País, contratado pelo MEC para coordenar um curso de formação de professores específico para alfabetizador. A lição 31 está dentro de um contexto. Vem depois de uma historinha onde os alunos aprendem a diminuir e aumentar. É uma brincadeira”, minimizou, acrescentando que o método já foi adotado em mais de 300 municípios.

Sobre a dispensa de licitação, ela disse que o procedimento não é realizado quando se trata de produto exclusivo, segundo a Lei 8.666.

O autor do livro, que segundo o Sepe é também presidente da editora onde foram comprados os kits, disse contar com o incentivo do MEC. Em nota, o MEC disse que não patrocinou qualquer curso de formação de professores com base em determinado método.

Baixada: déficit de mestres investigado

O Ministério Público investiga a falta de professores em escolas da rede estadual na Baixada Fluminense. Ontem a 2ª Promotoria da Infância e Juventude de Nova Iguaçu começou a mapear os problemas nas unidades do município. Já a Promotoria de Infância e Juventude de Duque de Caxias examina quatro denúncias de escolas sem aulas. Em São Gonçalo, a Justiça determinou que o estado, que ainda não foi notificado, contrate professores de imediato, sob pena de multa diária de R$ 25 mil.

A promotora Andrea Amin, de Duque de Caxias, vai sugerir a adoção de bolsas na rede particular. “Ou o estado coloca professores nas escolas, ou paga bolsa de estudo em colégios particulares para os alunos sem aula”, afirmou. Aluno da Escola Estadual João XXIII, no município, Tiago Guimarães, 11 anos, preocupa-se: “Não sei se vou conseguir aprender direito quando voltar às aulas”.

Em Nova Iguaçu, alunos do Ciep Severo Gomes foram ao MP denunciar a falta de professores e a direção do colégio, que, segundo eles, desativou o grêmio e suspendeu alunos em represália à declarações que deram a O DIA, em matéria sobre o problema das aulas. A direção negou as acusações.

A Secretaria Estadual de Educação afirmou que, até o fim de abril, contratou 133 professores temporários. Devido a déficit de quatro mil mestres, 20 mil alunos continuam sem aula. Segunda-feira, o órgão deu prazo até amanhã para o problema estar resolvido.

SEM PROFESSOR NA REDE MUNICIPAL

Passados 95 dias do início do ano letivo, Fábio Maia, 12 anos, aluno da 5ª série da Escola Municipal Acre, no Méier, ainda não teve um dia de aula de História. Esta semana, a professora de Ciências saiu de licença, deixando mais um desfalque na turma de cerca de 40 alunos, segundo o pai do menino, Ricardo Maia. O problema da falta de professores é abordado pelo Sindicato Estadual de Profissionais de Ensino (Sepe) na representação que fará ao MP contra a Resolução 946 da prefeitura que, entre outras medidas, defende o fim da reprovação escolar.

Segundo levantamento do Sepe, a carência na rede municipal é de 12 mil professores, com maior concentração nos bairros de Jacarepaguá, Bangu, Santa Cruz, Padre Miguel e Penha. Além de professores, faltam também livros para os alunos. “Este ano eles só entregaram o de Geografia”, contou Fábio. O pai disse que a Coordenadoria Regional de Educação admitiu o problema dos professores e informou que providências estavam sendo tomadas. “Quero saber quando virão providências. É quase o meio do ano”, questionou.

Ricardo também reclamou da falta de avaliações da escola. “O Fábio nunca tem trabalho de casa, e prova, até agora, só uma, de Matemática. Mesmo assim, como tirou uma nota boa, a professora disse que ele não precisaria ir às demais aulas, já que ela daria nova prova apenas para quem não teve bom resultado”, disse. A Secretaria Municipal de Educação explicou que a escola estava com quadro completo, até que um professor de História e um de Geografia entraram em licença médica.

Quanto à distribuição de livros, a Secretaria disse que as faltas serão supridas por remanejamento entre escolas ou compra pela 3ª Coordenadoria.

Mais notícias...

 
últimas
14:07 - Rio
ONG indiana faz festival de ioga e meditação nas praias do Rio neste domingo

13:05 - Rio
Operação surpresa apreende animais em feira em Caxias

13:05 - Rio
Manifestação reúne 150 pessoas em defesa da permanência de menino de 8 anos no Brasil

12:38 - Rio
Homem é morto a tiros em Realengo

12:34 - Rio
Dois adolescentes são atropelados na Abolição

» mais notícias  
Shopping
 
 
 
© Copyright Editora O DIA S.A. - Para reprodução deste conteúdo, contate a Agência O DIA.
O Dia Online | Agência O Dia | O Dia Comercial | O Dia Classificados
O Dia Assinatura | FM O Dia | Portal Mais | Promoções | Instituto Ary Carvalho