Hoje faltam 54 dias para o início dos jogos do Pan. E faltam 50 dias para que sejam conhecidas as Sete Novas Maravilhas do Mundo — o que realmente deveria importar, já que o Brasil é, com o Cristo Redentor e seu entorno, um dos 20 concorrentes.
Com exceção da Prefeitura do Rio de Janeiro, impressiona o pouco caso que as autoridades do País vêm fazendo desta iniciativa, que mobiliza bilhões de pessoas em todos os cinco continentes.
O Pan é um sucesso. Mas com ele o Rio terá apenas 17 dias de fama. A eleição do Cristo, como uma das Novas Maravilhas do Mundo, daria ao Brasil um prestígio para os próximos 2 mil anos.
Em abril, estávamos muito mal colocados no ranking da votação. Ocupávamos a 11ª colocação. Este mês nossa situação piorou: caímos para o 18º lugar. Precisaríamos ter um mínimo de 20 milhões de votos e somamos até agora apenas 7 milhões.
Seria difícil conquistar esses 20 milhões? Moleza. O BBB, por exemplo, já teve pico de 55 milhões de votos em apenas três dias. Vinte milhões é a média com que eles trabalham.
Mas por absoluto descaso das autoridades continuamos patinando neste concurso. Em todo o mundo, a população está mobilizada.
Portugal foi o país escolhido para o anúncio das Novas Maravilhas. E os portugueses não têm um único monumento entre os concorrentes. Sabe o que fizeram? Relacionaram 21 mosteiros, fortalezas e palácios para que o seu povo escolha as Sete Maravilhas de Portugal, a serem anunciadas no mesmo dia 7 de julho. Hoje, televisão, jornais, comércio e ruas martelam dia e noite essa idéia.
Aqui... nada.
A eleição do Cristo não deveria ser uma questão do Rio, mas do Brasil. Das velhas Sete Maravilhas do Mundo, só uma sobreviveu: as pirâmides. E elas não são de Gizé, nem do Cairo. As pirâmides são do Egito, assim como as muralhas são da China, a Torre Eiffel é da França e o Taj Mahal é da Índia. O Pan é do Rio, mas o Cristo é do Brasil.
No dia 7 do 7 de 2007, o mais famoso 007, Sean Connery, comandará a festa do anúncio. Hoje, só ganhamos da cidade de Timbuktu, no Mali, e da Ópera House de Sidney. De resto, perdemos até para Machu Picchu e para as estátuas da Ilha de Páscoa, que estão entre as 10 mais votadas.
Para se ter uma idéia do abandono do poder público, o Governo do Rio de Janeiro — pasme! — em seu site, não tem um link para que se vote no Cristo. No site do Governo federal acontece o mesmo. A página da Caixa mostra quantas horas faltam para o Pan. Do Cristo... nada. É possível que o Pan seja mesmo melhor.
Afinal, ele movimenta verbas e empreiteiros, tem superfaturamento e bocas-livres, mordomias e caixinhas.
O Cristo que se dane.