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21/11/2008 01:25:00

Girão ficará preso 30 dias

Sargento bombeiro, eleito vereador, vai cumprir pena administrativa por transgressões disciplinares

Adriana Cruz


Cristiano Girão, eleito vereador pelo PMN, foi indiciado pela CPI das Milícias da Alerj. Foto: Paulo Araújo / Agência O DIARio - Acusado de envolvimento com a milícia da Gardênia Azul, em Jacarepaguá, o segundo-sargento do Corpo de Bombeiro Cristiano Matias Girão, eleito vereador pelo PMN, vai ficar preso administrativamente por 30 dias. A decisão consta no boletim da corporação 216, folha 8900, publicado quarta-feira, ao qual O DIA teve acesso.

A ordem se baseou na conclusão do Conselho de Disciplina, gerado pela sindicância administrativa relativa ao processo E-09/0780/0006/2007, da Corregedoria Geral Unificada (CGU). O procedimento foi instaurado a partir dos registros de ocorrência 311/1943/04 e 357/1943/05, ambos da Delegacia de Homicídios Oeste (DH-Oeste).

Nos inquéritos da polícia, Girão é suspeito de envolvimento com grupos paramilitares e de ser o mandante de um assassinato. Embora o sargento não tenha sido indiciado criminalmente, a CGU concluiu que ele cometeu transgressão disciplinar grave para atender a interesses particulares e de cunho político. Girão foi eleito com 10.383 votos.

Segundo informações da Corregedoria dos Bombeiros, no boletim da corporação, o sargento terá que ficar preso a partir de segunda-feira em um quartel e só poderá ser liberado no dia 24 de dezembro, véspera de Natal.

“É uma punição indevida. Fui eleito apesar de terem denegrido minha imagem. Não sou um monstro”, disse Girão. Ele e Carminha Jerominho — filha do vereador Jerônimo Guimarães e sobrinha do deputado estadual Natalino Guimarães, que estão presos — foram indiciados pela CPI das Milícias da Assembléia Legislativa por lucrar com a exploração de segurança clandestina, ‘gatonet’ e transporte alternativo.

A comissão sugeriu ainda que o Ministério Público peça a prisão dos dois, assim como a de outros políticos, como o vereador reeleito Geiso Pereira Turques (PDT/ São Gonçalo), dono da casa de shows Castelo das Pedras, e Chiquinho Grandão (PTB/Caxias).

MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA 20 VEZES MAIOR DO QUE O RENDIMENTO

Conforme mostrou a série de reportagens ‘Dossiê Milícia’, Cristiano Matias Girão tem problemas com a Receita Federal. Foi constatado que sua ex-mulher, Solange Ferreira Vieira, nunca teve carteira assinada, já teve o nome sujo no Serasa e, mesmo assim, possui bens e movimentação financeira impressionante desde 2003.

O cruzamento de dados mostra que a soma das transações bancárias de Solange nos últimos cinco anos é 20 vezes maior do que os rendimentos declarados. Ano passado, ela parou de depositar e retirar dinheiro. Em 2006, o casal, já separado, fez a seguinte negociação: o bombeiro repassou para Solange o imóvel onde mora na Barra da Tijuca, avaliado em R$ 500 mil, por R$ 15 mil.

Na CPI das Milícias, o militar afirmou que fez a doação a pedido do advogado da ex-mulher. Solange foi sócia minoritária do ex-marido em duas lojas comerciais em Gardênia Azul: a C. Lages e a Girão Madeiras. A média dos seus rendimentos era de menos R$ 1 mil. Mesmo assim, ela não teve vínculos empregatícios com as empresas.

Na mira do Ministério Público

O vereador eleito está na mira do Ministério Público Estadual também por outros casos. As promotoras Márcia Velasco e Christiane Monnerat abriram inquérito para investigá-lo, centralizando tudo o que já foi apurado sobre Girão desde 2001 na Delegacia de Homicídios da Zona Oeste (DH-Oeste), na 32ª DP (Taquara) e na Corregedoria do Corpo de Bombeiros.

Há investigações sobre outras pessoas que integrariam o segundo escalão da milícia de Gardênia Azul. São citados, em relatórios de inteligência, como subordinados a Girão, por exemplo, o policial civil Wallace de Almeida Pires, o Robocop, e o PM José Nilson Rogaciano Pereira, o Nilson Paraíba.

Em 2004, quando tentou se eleger vereador pela primeira vez, Juvaldo Gomes de Oliveira, o Chico Palavrão, foi morto após impedir que militantes que apoiavam o bombeiro colocassem propaganda política na sua casa. À época, a viúva de Chico declarou à polícia que tinha medo de ser retaliada por Girão. O bombeiro negou participação no crime e o caso foi arquivado.

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