Rio - Além dos problemas com a Receita Federal, Girão terá uma dor-de-cabeça com o Ministério Público Estadual. As promotoras Márcia Velasco e Christiane Monnerat abriram novo inquérito para investigá-lo. Para isso, centralizaram tudo o que já foi apurado sobre Girão desde 2001 na Delegacia de Homicídios da Zona Oeste (DH-Oeste), na 32ª DP (Taquara) e na Corregedoria do Corpo de Bombeiros. Há ainda investigações sobre outras pessoas que integrariam o segundo escalão da milícia de Gardênia Azul.
São citados em diversos relatórios de inteligência como subordinados a Girão o policial civil Wallace de Almeida Pires, o Robocop; o PM José Nilson Rogaciano Pereira, o Nilson Paraíba; o sargento bombeiro Jorge Luiz de Souza, o Ganso, e seu irmão, Carlos Fernando de Souza, o Zeca.
Várias denúncias envolvem Girão. Em 2004, quando tentou se eleger vereador pela primeira vez, um morador do bairro, Juvaldo Gomes de Oliveira, o Chico Palavrão, foi morto após impedir que militantes que faziam a campanha do bombeiro colocassem propaganda política na sua casa. Na época, a viúva de Chico declarou à polícia que tinha medo de ser retaliada por Girão. O bombeiro negou participação no crime e o caso acabou arquivado.
No mesmo ano, Girão foi acusado de invadir uma festa de apoio ao então candidato a vereador Rogério Bittar (PSB) no Esporte Clube Gardênia Azul. Segundo depoimentos de várias testemunhas, o bombeiro tomou o microfone de quem estava discursando e anunciou que “se não fosse eleito, o povo iria se ver com ele”.
O bombeiro ainda é investigado pela tortura de uma ex-empregada chamada Vilma, acusada de roubar dinheiro dele há cinco anos.