Rio - Apontado pela polícia como um dos matadores da Liga da Justiça, Leandro Paixão Viegas, o Leandrinho Quebra-Ossos, 29 anos, preso semana passada em São Vicente, litoral paulista, vai passar por reconhecimento no inquérito que investiga o ataque à 48ª DP (Seropédica), em dezembro de 2006, quando foram roubados quatro fuzis, quatro metralhadoras e uma pistola. O retrato falado feito na época por policiais possui muitas semelhanças com o preso, que também é investigado por suspeita de tráfico de armas e munição.
Leandrinho é citado em 17 inquéritos só na 35ª DP (Campo Grande), que investiga mais de 90 mortes atribuídas à Liga da Justiça. Contra ele, havia ainda quatro mandados de prisão.
“A polícia paulista recebeu uma denúncia de que ele estava escondido em uma pousada e conseguiu prendê-lo em flagrante com documentos falsos. Sua prisão vai elucidar uma série de procedimentos em andamento aqui no Rio. Ele era o responsável por executar quem estivesse se contrapondo ao bando”, afirmou o titular da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Cláudio Ferraz.
LIGAÇÃO COM POLÍTICOS
O preso também é acusado de ter participado da tentativa de assassinato de Marcelo dos Santos Lopes, sócio de uma cooperativa de vans. A vítima fez denúncias de extorsão à Corregedoria-Geral Unificada e disse que, com Leandrinho, estariam o deputado estadual Natalino José Guimarães e o irmão dele, o vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, ambos presos em Bangu 8.
Leandrinho será ouvido no processo sobre a atuação da milícia na Zona Oeste, que tramita no Órgão Especial do Tribunal de Justiça, por causa das acusações contra o deputado.
A viagem de volta ao Rio durou pouco mais de uma hora, no confortável monomotor que pertenceu ao traficante colombiano Juan Carlos Abadía e que agora é da Secretaria Estadual de Segurança. Policiais paulistas entregaram o criminoso na Base Aérea do Guarujá. Escoltado por agentes da Draco, ele chegou às 13h10 no Aeroporto Santos Dumont, com algemas, de bermuda e chinelos, carregando apenas uma pochete com escova de dentes e sabonete.
No avião, ele negou aos investigadores envolvimento com a milícia e afirmou que há casos demais atribuídos a seu nome. Mas teria demonstrado interesse em ingressar no programa de delação premiada, desde que houvesse garantias de vida. Na Draco, afirmou que só iria prestar depoimento em juízo.
Leandrinho disse que estava em São Vicente há três anos, mas a polícia acredita que ele tenha fugido do Rio há quatro meses. Com ele, foram apreendidos um computador portátil e um Corolla blindado, embora o preso tenha dito que trabalhava em São Paulo cuidando de cavalos num clube.