Comissão começará a investigar paramilitares de Rio das Pedras, Gardênia Azul e Curicica. A região, segundo delegado da Draco, é ainda mais lucrativa que outros bairros da Zona Oeste
Rio - O próximo alvo a ser atacado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias na Assembléia Legislativa (Alerj) será a atuação de grupos paramilitares em Jacarepaguá. Ontem, em depoimento na comissão, o titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), Cláudio Ferraz, apontou a região como mais lucrativa do que outras áreas da Zona Oeste. Para ajudar a CPI, foi aprovada a convocação do delegado Pedro Paulo Pontes Pinho, titular da 32ª DP (Taquara). A unidade é a responsável pelas investigações nas comunidades de Rio das Pedras, Gardênia Azul e Curicica.
“Há um interesse político naquela população de formar currais eleitorais. E Jacarepaguá tem mercado maior que Campo Grande”, afirmou Ferraz, referindo-se ao bairro dominado pelo grupo ‘Liga da Justiça’, supostamente chefiado pelo vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho (PMDB) e seu irmão, o deputado estadual Natalino Guimarães (DEM).
MAIS IDENTIFICADOS
“Vamos convidar o delegado da 32ª DP e isso já nos permite partir para outros diagnósticos. O objetivo da comissão é fazer uma análise global sobre a ação desses grupos, e não se limitar a uma região”, afirmou o presidente da comissão, deputado Marcelo Freixo (PSOL).
Um relatório da Subsecretaria de Inteligência enviado à CPI aponta que Rio das Pedras é a região com mais milicianos identificados pela polícia até agora: são 40 ao todo. Em Gardênia Azul, cinco integrantes já são conhecidos. Na comunidade de Curicica, já foi identificado o líder da milícia local.
As duas primeiras localidades têm candidatos a vereador este ano: em Rio das Pedras, há o atual vereador Josinaldo Francisco da Cruz, o Nadinho (DEM); e em Gardênia Azul, o sargento do Corpo de Bombeiros, Cristiano Girão (PMN). O capitão Epaminondas Queiroz (DEM), suspeito de chefiar a milícia de Rio das Pedras, também seria candidato, mas desistiu.
Segundo Ferraz, a Draco já recebeu relatos de casos de monopólio da distribuição de água potável em áreas dominadas pela milícia no estado. “A polícia também recebeu informes de atuação de grupos paramilitares em Volta Redonda, Macaé e Região dos Lagos”, revelou.
Ferraz defendeu ainda a criação de uma Câmara Estadual de Combate ao Crime Organizado, integrando as forças de Segurança, o Ministério Público e o Poder Judiciário. Crimes como lavagem de dinheiro e sonegação fiscal das milícias seriam prioridades nas investigações na nova estrutura.
Ontem, também foi aprovada na CPI, a ida do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame e do procurador-geral de Justiça, Marfan Martins Vieira para ajudar nos trabalhos da comissão.