Rio - Parentes e amigos do menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, morto por policiais no último domingo na Tijuca, comparecem à Catedral Metropolitana, no Centro, na missa de Sétimo Dia, na manhã deste sábado, com camisetas com a foto da criança.
"Quantos Joãos, Marias e Gabrielas e tantas outras que sequer soubemos também se foram das formas mais diversas, pelas atrocidades das mais perversas? ", disse o padre durante a cerimônia.
O pai de João, Paulo Roberto, disse que a ferida está aberta. "Agradeço de coração por toda a solidariedade, mas estou com uma ferida aberta que volta e meia está sangrando", emocionou-se. “Meu filho, ninguém vai trazer de volta, mas ninguém mais tem que passar por isso. Eu era feliz e quero voltar a ser feliz.”
Uma carreata de taxistas com fita preta na antena passou pelo local vindo do Grajaú, buzinando em protesto. Na missa compareceram ainda pessoas que perderam parentes vítimas da violencia. Houve também quem aproveitou o momento para fazer protestos com cartazes, pedindo o fim da violência.
Um deles dizia: "A esperança é o caminho definitivo que Cristo nos deu para não abandonarmos a luta pela metade. Paz".
Daniela Duque e o marido, Sérgio Coelho, mãe e padrasto do rapaz Daniel Duque, morto por um PM na porta da boate Baronetti, em Ipanema, compareceram à missa. A avó de João Roberto passou mal ao final da cerimônia e teve de ser amparada.
O menino João Roberto Amorim, de três anos de idade, estava no último domingo (6) em companhia do irmão Vinicius, de 9 meses, num carro dirigido pela mãe Alessandra. Quando passava pela Rua General Espírito Santo Cardoso, na Tijuca, o veículo foi atingido por 17 tiros, disparados por policiais militares. Eles alegam ter confundindo o carro com o dos assaltantes que perseguiam. Atingido pelos tiros, o menino morreu no dia seguinte (7), no Hospital Copa D’Or, em Copacabana, zona sul da cidade.
Nesta segunda-feira (14) o Instituto Médico-Legal (IML) deverá encaminhar à 19ª Delegacia Policial, localizada na mesma rua onde ocorreu o crime, o laudo da necropsia da criança. A perícia já constatou que não houve troca de tiros com bandidos, confirmando o que demonstraram as imagens da câmara de segurança de um edifício da rua, ou seja, foram apenas os policiais que dispararam contra o carro.