Rio - Oito jovens acusados de integrar quadrilha de traficantes foram presos na manhã desta quinta-feira, no Rio, pela Operação Octogno, desencadeada por policiais da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod). Uma menor de 17 anos foi detida. Segundo a polícia, a quadrilha comprava maconha, cocaína e haxixe nos morros e revendia para jovens de classe média alta da Zona Sul. O grupo também seria responsável pela distribuição de drogas sintéticas, como o LSD e o ecstasy.
O objetivo era cumprir dez mandados de prisão e 12 de busca e apreensão. Um dos integrantes da quadrilha já estava preso. Ele foi identificado como Thiago Castilho Gama, de 24 anos.
Entre um integrantes havia também um taxista, morador da Penha, que era responsável pelas entregas de drogas. Fora ele, todos os jovens eram de classe média ou média-alta, moradores da Zona Sul. em bairros como Leblon, Lagoa, Botafogo e Copacabana.
Um dos líderes do bando é Bruno Pompeu D'Urso, morador de um prédio de luxo na Fonte da Saudade. Ele mora com a mãe e uma empregada, que o criou desde pequeno. Ao testemunhar a prisão, a empregada assustou-se, dizendo que pessava que esse tipo de coisa só ocorria em favelas. Depois, ela pediu demissão, dizendo ser uma pessoa digna.
O que já estava preso, Thiago, acusado de roubo, é filho de um policial e estava preso na DAS. A única mulher presa é Jéssica Albuquerque, namorada de Bruno, que era encarregada de levar a droga aos clientes. Outro integrante do bando foi preso dentro da Universidade Estácio de Sá, na Rua Uruguiana, onde estuda Design Gráfico.
Os presos são Bruno Pompeu D"Urso, 18 anos; Rafael Luiz de Vasconcelos, de 18 anos; Pedro Paulo Farias David, de 23 anos; Rodrigo Foresti de Luca, de 21 anos; Fábio Luiz Cardoso da Silva, de 26 anos; Renato da Silva Magdalena, taxista, de 31 anos; Jéssica de Albuquerque de Corrêa, 18 anos; e Maycon Igor Scoralick, de 20 anos.
Prisões em casa e na faculdade
O principal articulador da quadrilha seria Bruno Pompeu D’Urso, preso no apartamento em que vivia com a mãe, na Rua Fonte da Saudade, na Lagoa. Pedro Paulo Farias David, que estudava Desenho Industrial, foi algemado dentro da faculdade. Fábio Luiz Cardoso da Silva, Rodrigo Foreste de Luca, Jéssica de Albuquerque, e o taxista Renato da Silva Magdalena, que transportaria as drogas, foram presos em casa.
A menor prestou depoimento e foi liberada. Ela confirmou ter pedido ao namorado, Rafael Vasconcelos, que também foi preso, uma carteira falsificada para poder ir às festas. Todos os outros presos só vão falar em juízo.
Investigação
Ao longo de seis meses investigando a quadrilha, a Dcod colecionou 16.800 ligações entre os jovens. Segundo a polícia, eles passavam o dia no telefone negociando drogas. Os jovens tinham ligações também com traficantes de favelas. Eles costumavam levar ecstasy e LSD para as favelas e trazer outras drogas para o asfalto. A linguagem utilizada pelos jovens de classe média é idêntica à usada pelos bandidos das favelas.
Mais integrantes e laboratórios
Em entrevista à Rádio CBN, na manhã desta quinta-feira, a delegada Patrícia Aguiar, responsável pela investigação, disse que a quadrilha tem ainda outros integrantes, porém não soube informar quantos. Ela afirmou que a investigação vai continuar.
Patrícia Aguiar contou ainda que há indícios de que existam laboratórios de drogas sintéticas montados em favelas. Segundo ela, "está cada vez mais difícil prender (as quadrilhas) pelo fato de os traficantes estarem cada vez mais preparados e temerosos de falar ao telefone (por causa das escutas) ou traficar".