Rio - Em 8 de junho, espécie de tribunal formado dentro da Associação de Moradores de Rio das Pedras, em Jacarepaguá, decidiu pela execução do morador Adeildo Alves Cunha, 33 anos, por calote em dívida de R$ 5 mil. Assim como ele, outras quatro pessoas executadas nos últimos anos teriam sido vítimas da mesma sentença imposta pela milícia local. Os julgamentos incluíram viciados e até a mãe de um suspeito de tráfico.
É o que revelam os depoimentos de testemunha na 32ª DP (Taquara). A partir das informações, nove pessoas passaram a ser investigadas pelo assassinato de Adeildo — algumas delas já envolvidas em outros casos de homicídio. Todas já eram alvo da Secretaria de Segurança Pública por envolvimento com grupo paramilitar de Rio das Pedras.
Segundo a testemunha, uma reunião foi convocada no mês passado para debater a dívida de Adeildo com Jorge Alberto Moreth, conhecido na comunidade como Beto Bomba. Relatos enviados à polícia apontam o rapaz como o encarregado de cobrar os empréstimos concedidos pela Areal Cred Fomento, empresa de crédito da região.
QUATRO MORTES
Da reunião participaram ainda Getúlio Rodrigues Gamas — presidente de cooperativa de transporte alternativo —; os irmãos Dalmir e Dalcemir Pereira Barbosa; Paulo Eduardo da Silva Azevedo, o Paulo Barraco; Fabiano Cordeiro Ferreira, o Mágico, e mais quatro pessoas identificadas apenas pelo primeiro nome ou apelidos. Ali, segundo a testemunha, “foi acertado o pagamento da dívida ou a morte de Adeildo”. O assassinato teria sido cometido por quatro pessoas em três motocicletas sem placas.
Nas outras execuções que a polícia investiga em Rio das Pedras, a maioria das suspeitas recai sobre a ligação das vítimas com o tráfico de drogas. Há cerca de três meses, um homem chamado Jeferson foi morto dentro da própria casa por três pessoas ligadas à milícia local.
Na mesma época, miliciano conhecido como Coutinho teria assassinado um jovem no bairro do Anil usando uma pisto-uzi. Em maio do ano passado, a vítima foi o morador conhecido como ‘Tuti’.
Outra morte que a polícia ainda investiga é da mãe de rapaz conhecido como Romarinho, há cinco anos. O alvo era o jovem, mas como ele não foi encontrado no dia, executaram a mãe. Procurado, o delegado da 32ª DP, Pedro Paulo Pontes Pinho, não quis fazer comentários sobre as investigações.