Justiça solta acusados
Dupla negou ter fabricado bomba usada em ataque a delegacia
Rio - Acusados de ter confeccionado a bomba usada para atacar a 35ª DP (Campo Grande), na madrugada do dia 11, Antônio Santos Salustiano, 43 anos, e o filho Ocian Gomes Ranquini Salustiano, 20, conseguiram liberdade provisória ontem, após prestar depoimento na 2ª Vara Criminal de Campo Grande. Segundo o juiz Rubens Casara, os dois negaram ter fabricado o artefato e ser ligados a milicianos, ao contrário do que teriam dito em depoimento informal ao delegado Marcus Neves, da 35ª DP, depois do atentado.
Na presença de mais três policiais, eles chegaram a afirmar que a bomba era uma encomenda do deputado estadual Natalino José Guimarães (DEM), acusado de ligação com a milícia na Zona Oeste. No entanto, orientados por advogado, os dois negaram a versão no depoimento oficial. O juiz ainda vai ouvir os agentes.
A dupla foi denunciada pelo Ministério Público por uso de material explosivo — na casa deles, havia fogos de artifício e balões — e não vai responder pelo ataque à delegacia. Em frente ao Fórum de Campo Grande, parentes promoveram protesto e festejaram a decisão da Justiça.
Antônio e Ocian seriam os primeiros a ser ouvidos pela CPI das Milícias, amanhã, na Alerj. Porém, com a libertação, os deputados têm duvidas se eles vão comparecer. Em seguida, serão convocados os delegados Marcus Neves e Cláudio Ferraz, da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas do Crime Organizado (Draco). Natalino também deverá ser chamado. “Quando acharmos que for a hora”, disse Marcelo Freixo, presidente da CPI.
Segundo ele, a comissão vai criar um setor de inteligência para investigar as informações recebidas pelo Disque-Milícia, que será implantado até sexta-feira. O objetivo do grupo será analisar todas os dados fornecidos, antes de repassá-los aos deputados. “Eles farão um trabalho de filtragem e organização dos dados”, explicou Freixo.
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