Rio - Donas-de-casa, mães e chefes de família, as futuras operárias, apelidadas de PAC-Quitas, tiveram sua importância reconhecida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na véspera do Dia Internacional da Mulher.
“Essas mulheres serão muito mais respeitadas pelos seus próprios companheiros porque irão levar para casa uma parte daquilo que vai alimentar os seus filhos, dinheiro ganho às custas do suor e do sangue dessas pessoas”, afirmou o presidente, em Manguinhos.
Alicerces na maioria das famílias, as 60 pedreiras, pintoras e carpinteiras vão construir com suas próprias mãos a transformação nas comunidades beneficiadas pelo PAC. O elogio encheu de orgulho Norma Sá, coordenadora do projeto Mão na Massa, e sua tropa feminina. “Fizemos pesquisas sobre o que as mulheres queriam fazer nas favelas. Metade demonstrou interesse em ser pedreira. Elas estão treinando desde novembro e agora vão partir para a ação nas obras do PAC”, disse.
Treinamento para pegar no pesado
A luta pela oportunidade de emprego fez com que Daiana Garcia Aguiar, de 21 anos, decidisse encarar o pesado. “Acho que tem mais emprego nessa área”, disse. A experiência adquirida ao lado do marido, na construção da moradia, animou Isabel Vieira Silva, 30, a se profissionalizar. “Carrego material de construção, guardo e faço massa de cimento. No início, eu não sabia, mas ele me ensinou e agora faço quase tudo”, contou.
Com as mulheres mostrando disposição de sobra, serão abertas mais vagas. A aprendizagem é garantida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Indústria (Senai), com quatro meses de aulas e dois de experiência em canteiros de obras. A aluna ganha alimentação, vale-transporte, bolsa-auxílio, vestuário e ferramentas. Podem se inscrever candidatas dos 18 aos 45 anos, que tenham pelo menos a 5ª série do Ensino Fundamental.
As inscrições gratuitas serão feitas nos dias 11 e 12 de março, às 8h, no Abrigo Maria Imaculada, na Rua Ana Neri 1.422, no Rocha. É preciso apresentar original e cópia da identidade, do CPF, do título de eleitor e do comprovante de residência.
Beijos para interagir com o povo
Alegre e solícito, Lula atendeu a diversos pedidos da população. Até mesmo o insistente José Alves de Moura, o Beijoqueiro, conseguiu atenção especial do presidente. Em meio ao público e com um buquê de rosas vermelhas endereçado à primeira-dama, Marisa Letícia, ele conseguiu autorização de Lula para furar a segurança presidencial.
O diálogo entre os dois arrancou risos das autoridades presentes, mas, no fim, Lula consentiu que o Beijoqueiro entregasse as rosas e sapecasse uma bitoca no rosto da primeira-dama.
O bom-humor do presidente foi além. Ao avistar uma mulher que sacodia um envelope pardo na platéia, Lula determinou a assessores que buscassem o documento, que pedia verbas para um projeto social na Vila Cruzeiro, favela vizinha ao Alemão.
Em Manguinhos, o presidente foi presenteado com camisa do Flamengo. Após explicar que torce pelo Vasco, como o governador Sérgio Cabral, Lula recebeu o mimo com orgulho. “Sou antes de tudo esportista. Por isso, não podemos deixar de ter orgulho do que o Flamengo tem feito pelo País.”