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11/7/2008 01:23:00

Mãe: 'Eu não aceito desculpas'

Rio - A advogada Alessandra Amorim Soares, 35 anos, mãe do menino João Roberto, falou ontem pela primeira vez sobre a tragédia. Em entrevista a Ana Maria Braga, no ‘Mais Você’, da TV Globo, Alessandra foi clara: “Não aceito nenhuma desculpa de secretário, de governador. Nada disso vai trazer meu filho de volta”.

Pai de João, o taxista Paulo Roberto, 45, enfatizou que não desistirá de sua luta para melhorar a polícia. “O fato de estarmos aqui nos expondo é para que essa atrocidade não venha ocorrer com outras famílias. Que isso possa ajudar de alguma forma no preparo dos policiais, para que nós possamos ser bem resguardados, porque pagamos impostos e temos direito a isso”, frisou.

Alessandra reafirmou que só os PMs atiraram. “O que vou dizer aqui é o que vou falar no meu depoimento. Não houve troca de tiros. Passou um carro a mil por mim. Eu encostei para eles, mas eles pararam o carro atrás e me alvejaram!”, lembrou. A funcionária pública se emocionou muito ao contar sobre o ataque. “Eu disse: ‘Meu filho, abaixa!’. E ele perguntou: ‘Por que, mamãe?’. ‘Pelo amor de Deus, meu filho, abaixa!’. Quando olhei para trás, ele já estava caído”.

Segurando a mão da mulher, Paulo Roberto desabafou: “Ela é minha heroína. Ela se jogou na frente das balas para salvar os filhos. Foi a mulher que escolhi e hoje tenho certeza de que escolhi muito bem”. Logo depois, ela acrescentou: “O nome dele é João Roberto, meu filho. Ele não é uma estatística horrorosa. Ele é um menino, com muita saúde, com muito amor, que tiraram de mim”.

“O pior é que tenho a sensação de que terão de dar desculpa para outras pessoas. Não estão fazendo nada para assegurar a nossa segurança. Tenho outro filho e temo muito pela vida dele. Eu não desculpo, eu não desculpo”, voltou a criticar.

O taxista reforçou sua disposição em mudar a polícia. “O que aconteceu com a minha família foi um absurdo. Não quero só justiça. Quero voltar a andar nas ruas com segurança, tenho outro filho para criar. Não quero viver nessa cidade com medo. Não tenho que sair daqui. Eu amo a minha cidade! Eu cresci aqui. O Rio é lindo! A sociedade tem que gritar! Quem tem que ser extirpado daqui não somos nós, que somos pessoas de bem. O mal é que tem de ser extirpado, e o mal não sou eu”.

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