Rio - Cinco policiais foram mortos em 48 horas em diferentes pontos do Rio e do Grande Rio. Os dois últimos foram o terceiro-sargento Marcos Patrillo Mercês, do 5º BPM (Harmonia), e o cabo João Luiz de Souza Pereira, 39, do 18º BPM (Jacarepaguá). O sargento foi atingido por um tiro no peito na frente da filha de 14 anos, ao reagir a um assalto a ônibus, no bairro Vila São João, em São João de Meriti, Baixada Fluminense, sábado à noite. Horas antes, o cabo foi executado na Estrada do Magarça, em Guaratiba.
No ataque ao ônibus, o passageiro Ricardo Gonçalves dos Santos, 30, foi baleado de raspão na nuca e sua filha, Larissa Helena da Conceição dos Santos, 11, levou dois tiros na perna direita. Ambos passam bem. O PM chegou a ser socorrido no PAM de Jardim Meriti, mas não resistiu ao ferimento.
Desde sexta-feira, já haviam sido mortos o cabo Paulo José Craveiro dos Santos, 34, em Olaria, o soldado Marcos de Oliveira Mendonça, em Bangu, e Cléber do Amparo, 39, em Niterói. Ontem à tarde, Mercês foi enterrado no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap.
João Luiz deve ser enterrado hoje. Ele foi executado com dezenas de tiros disparados por ocupantes de um Meriva. O cabo não reagiu, apesar de estar com a arma de um comerciante, segundo policiais. Sua pistola funcional está apreendida pela Polícia Civil, que investiga possível envolvimento com milícias de Campo Grande.
Sargento se atracou com assaltante
Quando foi morto pelos bandidos, o terceiro-sargento Marcos Patrillo Mercês voltava do Shopping Grande Rio, em São João de Meriti, com a filha. O ônibus em que viajava, da Viação Flores, linha Cascadura-Jardim Redentor, foi invadido por dois assaltantes, que se preparavam para começar a recolher os pertences dos passageiros. Um deles chegou a tomar o relógio da filha do PM. Nesse momento, ele reagiu e se atracou com o criminoso, sendo atingido pela própria arma, que estava na cintura.
"Meu marido era tranqüilo, um bom pai e havia prometido à filha que a levaria para a Disney. Ela estava cheia de esperança”, contou a mulher do PM, que preferiu não se identificar.
DEPOIMENTO
“Eles passaram por nós e um deles mostrou a arma na cintura, falou para colocarmos as mãos no banco da frente e pediram nossos relógios. Porém, ao revistarem meu pai, viram que ele também estava armado. Meu pai me mandou abaixar e lutou com um deles, mas o homem atirou e acertou ele. O homem pegou a carteira do meu pai e jogou tudo o que tinha no chão, mas levou a arma dele. Eles mandaram o motorista parar e saíram correndo. Fiquei abraçada com meu pai, com muito medo.”
Yasmin Mercês, 14 anos Filha de PM morto
Bandidos no banco de trás do carro
A série de assassinatos de policiais militares começou na madrugada de sexta-feira, quando o cabo Cléber do Amparo, 29 anos, foi morto em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Cléber trocou tiros com os bandidos, que o renderam em área deserta da Praia de Charitas, onde casais costumam namorar dentro de carros.
O policial tentou surpreender os bandidos, que estavam no banco de trás do veículo, mas acabou baleado na nuca e no ombro. Um dos criminosos também foi atingido e morreu no local. O outro conseguiu fugir. No tiroteio, o carro bateu em uma árvore. A polícia está tentando identificar mulher que estaria no automóvel quando o PM foi rendido.