Rio - O governador Sérgio Cabral anunciou que as favelas do Batan, em Realengo, e Cidade de Deus, em Jacarepaguá, terão daqui a 15 dias reforço de quase 200 PMs no policiamento comunitário. Cada um receberá gratificação de R$ 500 por mês. O dinheiro será repassado pela prefeitura por meio do convênio assinado ontem entre Cabral e o prefeito Eduardo Paes, iniciando, na área de segurança, a integração prometida por ambos.
Segundo o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, o Batan — onde equipe de O DIA e um morador foram torturados em maio passado — receberá de 120 a 150 policiais. Já a Cidade de Deus, ocupada pela PM desde novembro, terá reforço de 30 a 40 homens.
“Serão policiais sem experiência em batalhões, sem vícios, designados pela academia diretamente para o policiamento de proximidade”, explicou Beltrame.
O repasse financeiro formalizado ontem vai beneficiar, inicialmente, 120 PMs que já atuam desde dezembro no Morro Dona Marta, em Botafogo, onde o governo afirma ter expulsado os traficantes e restabelecido o poder do Estado. Beltrame disse que a gratificação estará disponível no contracheque de fevereiro. O secretário elogiou o acordo: “É uma demonstração de total parceria, uma nova maneira de se fazer segurança pública”.
Sem identificá-las, o governador disse que nos próximos meses outras comunidades terão reforço de policiais com a mesma gratificação, mas admitiu que a carência de efetivo pode ser um obstáculo. “É um problema, mas o comando da PM irá alcançar esse desafio”, observou Sérgio Cabral, dirigindo a palavra ao comandante-geral da corporação, coronel Gilson Pitta Lopes, também presente na cerimônia.
Para o prefeito, o convênio assinado com o governo do estado, que só com os policiais do Dona Marta vai consumir R$ 720 mil por ano dos cofres municipais, demonstra seu apoio à atual política de segurança pública, que é de enfrentamento aos criminosos.
“Não é admissível que tenhamos áreas onde o poder público não seja soberano. Vamos retomar os territórios ocupados por milícias, traficantes ou seja lá que tipo de poder paralelo for”, afirmou Eduardo Paes.