Rio - A prisão dos principais líderes da ‘Liga da Justiça’ — milícia que controla com mãos de ferro as comunidades carentes da Zona Oeste, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público — enfraqueceu as finanças do grupo paramilitar. Para reaver esse prejuízo, a quadrilha está disposta a abdicar de parte de seus ‘territórios’. Investigações da 35ª DP (Campo Grande) revelam que o bando estaria negociando a ‘venda’ da Favela da Carobinha para traficantes da facção Amigos dos Amigos (ADA).
De acordo com o delegado Marcus Neves, o atual líder da ‘Liga’, Luciano Guinancio Guimarães, filho do vereador Jerônimo Guimarães, o Jerominho, estaria à frente das negociações. “Ele pediu R$ 1 milhão pela venda da Carobinha, pois precisa do dinheiro para fugir do estado, já que está com mandado de prisão. Mas vou pegá-lo antes”, afirmou.
O delegado contou que a negociação era feita com um traficante identificado apenas como Palhaço, que seria ligado a Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, ex-chefão do pó, preso em Bangu. No entanto, ainda segundo Neves, Palhaço teria feito uma contraproposta.
DESESPERO
“Ele ofereceu R$ 250 mil, porque não tinha todo o valor pedido. Luciano está desesperado por dinheiro. Isso deixa evidenciado o contato dele com o tráfico, que está de olho na Zona Oeste, agora que a milícia está enfraquecida. Vamos acabar com isso”, garantiu o delegado.
Ontem, o governador Sérgio Cabral reforçou apoio ao combate à milícia. “O que queremos é resgatar o Rio e as áreas ocupadas pela criminalidade. Independente de quem esteja ajudando”, afirmou, ao comentar a ajuda de informantes em operações.
Identificado armamento da casa de Natalino
A polícia já identificou de quem são as armas apreendidas semana passada na casa do deputado Natalino Guimarães. Na ocasião, o parlamentar foi preso sob a acusação de estar reunido com integrantes da ‘Liga da Justiça’, da qual é apontado como um dos líderes.
Segundo a polícia, a escopeta calibre 12 pertence ao deputado. Já as pistolas calibre 380, são de policiais militares, entre eles, Rogério Alves Carvalho, que está preso. No entanto, ainda não foi possível identificar a origem do fuzil e da submetralhadora apreendidas.
O delegado ressaltou que vai fazer o confronto entre as armas apreendidas com milicianos e as que foram utilizadas em pelo menos 80 homicídios ocorridos na região. “Vamos levantar os casos um a um. É provável que boa parte tenha sido da milícia”, afirmou.