Rio - Um relatório publicado no boletim interno 164 da Polícia Militar revela o suposto envolvimento do vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho (PMDB), seu filho e seu irmão, o deputado estadual Natalino José Guimarães (DEM), além de policiais militares do 9º BPM (Rocha Miranda), do 3º BPM (Méier) e do Regimento de Cavalaria de Campo Grande, em esquemas de extorsão a topiqueiros, moradores e comerciantes, participação em grupos de extermínio e controle de milícias na Zona Oeste.
O mesmo documento, datado de 4 de setembro deste ano, informa sobre a decisão da Corregedoria da PM de cassar a carteira funcional e o porte de arma do filho do vereador, o soldado da PM Luciano Guinâncio Guimarães, o Fumão.
Consta no relatório que o grupo estaria envolvido em vários assassinatos, entre eles o de um empresário do ramo de casas noturnas em Campo Grande, no ano passado; do ex-PM e dono de uma cooperativa de vans Ilton Nascimento, 48 anos, no dia 11 de abril, em Santa Cruz; e de dois motoristas de Kombis, mortos em um posto de gasolina na Estrada do Cabuçu, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
ARMAS E ‘PEDÁGIO’
De acordo com relatos feitos à 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM), Jerominho, Natalino e Luciano comandariam uma milícia, batizada de Liga da Justiça, em Campo Grande. Para atuarem livremente, pagariam propinas de R$ 2 mil a maus policiais.
Ainda conforme denúncias, a suposta quadrilha andaria fortemente armada, em cerca de 10 carros, cobrando ‘pedágio’ de R$ 50 de motoristas de Kombi, além de planejar invasão de favelas na região. Natalino, segundo a polícia, usaria o apelido de Batman.
Ontem, a assessoria de imprensa da polícia informou que as denúncias — feitas por integrantes da Cooperativa de transporte alternativo Rio da Prata e por pessoas que ligaram para o Disque-Denúncia, além de registros realizados na 35ª DP (Campo Grande), 36ª DP (Santa Cruz), Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e 4ª DPJM (Delegacia de Polícia Judiciária Militar) — estão sendo apuradas. Luciano está respondendo a Processo Administrativo Disciplinar que pode levá-lo à expulsão da corporação.
Os assessores de Jerominho e Natalino informaram a O DIA que os políticos estavam em reuniões externas ontem e que por isso não poderiam dar declarações.
O relatório cita uma das ameaças feitas a diretores da Cooperativa Rio da Prata, no dia 14 de abril. Nessa data, vários homens armados com fuzis e pistolas, conforme testemunhas, chegaram à cooperativa em cinco Blazers e um Santana.