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25/7/2008 02:22:00

Milicianos recrutam traficantes

Paramilitares estariam pagando entre R$ 300 e R$ 1.700 semanais para segurança antes feita por PMs

Rio - A polícia investiga denúncias de que traficantes da Baixada Fluminense e da Zona Oeste voltariam a ocupar áreas dominadas pela milícia ‘Liga da Justiça’, com aval dos líderes do grupo paramilitar. De acordo com o delegado da 35ª DP (Campo Grande), Marcus Neves, há informações de que os milicianos estariam contratando traficantes para atuar como seguranças do bando.

“São traficantes da Baixada e alguns expulsos da Carobinha e do Barbante, em Campo Grande, quando foram tomadas pela milícia. Estão sendo recrutados como soldados para garantir a segurança da milícia, já que muitos PMs que faziam esse serviço estão debandando, após a prisão do deputado Natalino Guimarães”, disse o delegado. O parlamentar, preso segunda-feira, é apontado como um dos líderes do grupo.

Segundo Neves, os novos aliados da milícia estariam sendo contratados por ‘salários’ entre R$ 300 a R$ 1.700 semanais. O delegado informou que o recrutamento estaria a cargo de Luciano Guinancio Guimarães, filho do vereador Jerônimo Guimarães, o Jerominho, preso em dezembro. “O Luciano recebe ordens dos líderes para tocar o grupo”, disse o delegado, ressaltando que o filho de Jerominho recebe apoio de Leandro Paixão Viegas, o Leandrinho Quebra-Ossos. Ambos são procurados pela polícia.

Neves informou que cinco integrantes do grupo já foram denunciados pelo Ministério Público por formação de quadrilha, entre outros crimes. Nomeado para acumular a função na Delegacia de Homicídios da Zona Oeste, o delegado disse que a estrutura da delegacia vai apoiar no combate à milícia. “Serão mais 54 policiais, 10 fuzis e viaturas novas”.

Ontem, as armas encontradas na casa de Natalino foram enviadas para a perícia. Os cinco veículos apreendidos — entre eles, uma Toyota Hilux em nome de Natalino e um Citroën C3, de Luciano — continuam na delegacia. O delegado vai analisar esta semana computador e DVDs apreendidos na casa do ex-agente penitenciário Wagner Rezende de Miranda, o Waguinho. Segundo Neves, o aparelho teria imagem de uma das filhas de Waguinho segurando pistola calibre 45.

As investigações de Neves, apontam que o protesto na porta da delegacia contra a prisão de Natalino, terça-feira, teria sido pago pela milícia. Cada manifestante — da Carobinha e do Barbante — teria recebido em torno de R$ 30.

ELEIÇÕES SERÃO INVESTIGADAS

O presidente da CPI das Milícias da Assembléia Legislativa (Alerj), Marcelo Freixo (PSOL), solicitou ontem ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) mapas das votações obtidas por todos os candidatos em 10 localidades do Rio e duas de Duque de Caxias, nas eleições de 2004 e de 2006. A intenção, segundo o deputado, é verificar se políticos ligados a milícias tiveram votos nestas áreas e qual o montante de cada um. Todas as localidades do Rio são da Zona Oeste. <MC>Os nomes dos políticos foram obtidos através de informações repassadas ao Disque-Milícia (0800-2820-376) e por investigações da CPI.

“Queremos entender como o braço econômico das milícias vem atuando no braço político. Poderemos saber e conhecer seus braços eleitorais”, disse Freixo. Segundo o deputado, os candidatos supostamente apoiados por milicianos poderão ser convocados para depor na CPI. Na segunda-feira, Freixo se reúne com o vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), desembargador Alberto Motta Moraes, para discutir a ação das milícias nas eleições deste ano, especialmente os limites que os paramilitares vêm impondo à campanha eleitoral nos territórios dominados por eles.

No dia 7, a CPI vai ouvir o delegado Cláudio Ferraz, da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas (Draco), responsável pelas investigações sobre a ação de paramilitares no estado. A CPI deve apresentar relatório parcial em setembro, o qual já poderá conter informações sobre ligações de milícias com políticos. O documento será enviado, segundo Freixo, ao Ministério Público (MP).

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