Rio - O combate às milícias no Rio vai ganhar o cenário mundial. O relatório final da CPI das Milícias foi entregue, ontem à tarde, ao secretário da Anistia Internacional, Tim Cahill, pelo presidente da comissão, deputado estadual, Marcelo Freixo (PSOL), no Instituto Superior de Estudos da Religião (Iser), na Glória. O documento, que indiciou 226 dos 1.113 investigados de integrar grupos paramilitares em 171 comunidades, vai ser enviado a 70 países, às Organizações das Nações Unidas (ONU) e à Comunidade Européia. A comissão foi aprovada após a tortura sofrida pela equipe de O DIA e morador da Favela do Batan, em maio.
“O que aconteceu com os jornalistas e o morador foi terrível. O crime ameaça o estado de direito, mas acabou abrindo os olhos da sociedade para o problema e sendo a voz de muitas pessoas que sofreram violência”, analisou Cahill. Além de divulgar em campanhas o combate às milícias, Cahill anunciou que daqui a seis meses voltará ao Rio para acompanhar de que forma o governo está cumprindo as sugestões apresentadas pela CPI, entre elas a de que os vereadores eleitos Cristiano Girão, do PMN, e Carminha Jerominho, do PTdoB, não sejam diplomados e de que os indiciados sejam excluídos do serviço público. “O relatório não é o fim, mas o começo. Vamos cobrar ações dos governos estadual e federal”, afirmou.
RUMO A BRASÍLIA
O presidente da CPI das Milícias, Marcelo Freixo, informou ontem que também encaminhará o relatório às comissões de Segurança e Direitos Humanos do Congresso Nacional.
“Foram 150 dias de trabalho, mas precisamos manter o debate. Nesse período, por exemplo, não contamos com o apoio da Receita Federal. Isso era importante para levantar o patrimônio dos acusados. As CPIs estaduais têm que ter força para conseguir essas informações, como acontece no Congresso”, disse Marcelo Freixo. O deputado, no entanto, fez questão de ressaltar a parceria da comissão com as polícias Civil e Federal e o Ministério Público estadual.
Problema sob os olhos do Parlamento Britânico
A divulgação do combate às milícias pela Anistia Internacional é um reforço de peso na fiscalização das ações adotadas pelo estado. Em 9 de outubro, a entidade fez a campanha ‘Milícia, o desafio do Brasil’, em que revelou a ameaça de milicianos contra 17 autoridades e servidores.
O trabalho resultou no envio de 50 cartas ao governador Sérgio Cabral, à cúpula da Segurança Pública e ao Ministério Público estadual. “Levamos o caso sobre o Brasil ao Parlamento Britânico. A meta é de que isso chegue às mãos do Ministério de Relações Exteriores e depois ao governo federal brasileiro”, afirmou Tim Cahill.
A repercussão das cartas chegou ao deputado estadual Marcelo Freixo: “Recebi ofício da subprocuradoria de Direitos Humanos do Ministério Público Estadual sobre o assunto. Responderei semana que vem.”
CPI SUGERE BOMBEIROS SEM ARMAS
Os sete integrantes da CPI se preparam para uma nova batalha. Desta vez, o cenário será o plenário da Alerj, no início do mês que vem, quando será votada a aprovação das medidas adotadas pelos membros da comissão. Para o presidente da CPI, deputado estadual Marcelo Freixo, o maior embate vai ser sobre a sugestão da desmilitarização do Corpo de Bombeiros.
“Quem salva vidas em incêndios não precisa de armas de fogo. O que ouvi é que, sem armamento, eles perderiam o ‘bico’, fazendo trabalho como segurança. Essa razão não se justifica”, argumentou Freixo. O deputado garantiu que vai lutar para que todas as sugestões do relatório sejam mantidas pela Casa. “Não podemos permitir que uma emenda retire, por exemplo, o nome de um indiciado na CPI”, defendeu.