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16/6/2008 15:34:00

Moradores da Providência penduram faixas da porta do Hospital dos Servidores do Estado

Bartolomeu Brito


Rio - Moradores do Morro da Providência, no Centro da cidade, revoltados com a morte de três jovens que foram detidos por 11 militares do Exército no sábado, penduraram uma faixa branca com a inscrição "Exército assassino" e outra preta com a inscrição "Justiça - Voltamos à ditadura?" na faixada do Hospital dos Servidores do Estado, na Rua Sacadura Cabral, nas proximidades da comunidade.

Na manhã desta segunda-feira, traficantes do Morro da Providência ordenaram o fechamento do comércio na região. Lojas baixaram as portas, camelôs recolheram as mercadorias e até o Hospital dos Servidores do Estado adiou consultas. Pacientes que chegam ao local são orientados a remarcar visita. Por medida de segurança, a empresa de ônibus Real alterou o trajeto de seis linhas que percorriam o entorno do morro.

Não há confrontos, nem manifestações. Soldados da Polícia Militar e do Exército ocupam todos os acessos da favela. Mais de 50 jipes com homens fortemente armados estão no local. Moradores circulam nas ruas, mas o clima é de apreensão.

Moradores acusam soldados do Exército de serem os responsáveis pelo seqüestro de três jovens da comunidade e “venda” a traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi, no sábado. Os corpos de Marcos Paulo da Silva, 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19 anos, e David Wilson Florença da Silva, 24 anos, foram encontrados neste domingo no lixão de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense.

Neste domingo houve confronto entre moradores e soldados do Exército. Os momentos de maior tensão aconteceram à tarde, no Largo de Santo Cristo. Cerca de 150 manifestantes tentaram invadir o quartel, mas foram impedidos pela tropa de choque do Exército. Eles jogaram garrafas plásticas nos militares, que revidaram com bombas de efeito moral.

“Queremos os soldados assassinos fora da comunidade”, gritavam. Assustados, motoristas voltaram pela contramão. Um supermercado fechou, temendo quebra-quebra. A PM cercou o local, na tentativa de dissipar o tumulto, que durou uma hora.

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