Rio - Moradores no Morro Azul, no Flamengo, acusam policiais do 2º BPM (Botafogo) de matar o motoboy Edson Vaz do Nascimento, 36 anos. Por volta das 20h30, o rapaz voltava para casa, depois de comprar doce para filha de 5 anos, quando foi atingido por um tiro de fuzil na cabeça. Segundo amigos de Edson, policiais que estavam no carro da polícia 52-0840 entraram na comunidade atirando e mataram o motoboy.
Revoltados e aos gritos de ‘assassinos’, moradores incendiaram três veículos na Rua Paulo VI, nas barracas de ambulantes na entrada do Metrô e no lixo espalhado pela Rua Marquês de Abrantes, que ficou fechada ao trânsito. Uma agência do banco HSBC foi depredada. Comerciantes fecharam as portas das lojas. Antes de chegar ao local, o comandante do batalhão, tenente-coronel Gileade Albuquerque, afirmara que o tiro que atingiu Edson havia partido de cima da favela. Ao chegar lá, recuou: “Agora não sei mais”.
Logo depois que Edson foi atingido, moradores depredaram o carro da polícia e impediram que o veículo deixasse a favela para não desfazer o local do crime. Cerca de 50 PMs do Batalhão de Choque e do 19º BPM (Copacabana) foram acionados. Os policiais acusados de matar o motoboy só deixaram o local, 40 minutos depois, após a chegada do reforço.
Moradores acusam policiais, conhecidos como ‘bonde dos carecas’, de extorquir e intimidar moradores da comunidade. A mulher de Edson, Alessandra Rodrigues (foto), 25, disse que há oito anos o marido fora vítima de bala perdida em ação semelhante da polícia. Irmão de Edson, Nelson, de 51 anos, desabafou: “Hoje eles atiram e depois é que perguntam”.