Estudo do Denatran mostra que, com a Lei Seca, caiu em 30% número de óbitos no Rio. Em 13 capitais, redução foi de 8%
BRASÍLIA - A Lei Seca poupou mais de cem vidas só nos meses de julho e agosto no Rio de Janeiro. Estudo comparativo do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) divulgado ontem mostra que a capital fluminense teve redução de 30%, 374 para 262, no número de mortos, comparando acidentes com o mesmo período em 2007. Os números das 13 capitais analisadas mostram que no País a redução foi de 8% de mortes. Em números totais, os acidentes fatais diminuíram de 1.055 em 2007 para 981 este ano.
O Rio foi o município onde a Lei Seca teve o maior efeito positivo em relação aos acidentes com morte. A redução do número de óbitos em todo o País ficou em apenas 74 vítimas porque alguns estados registram aumento nessa estatística. Em relação aos acidentes com feridos, em 2007 foram registradas 15.679 ocorrências contra 15.467 no mesmo período de 2008, uma redução pequena, de aproximadamente 1%.
O número mais expressivo do estudo refere-se ao quesito autuações. No Rio, o número de multas aumentou 176%. No Brasil, o número de autuações aplicadas nos dois meses da Lei Seca é 240% maior em relação ao mesmo período de 2007, o equivalente a 1.644 multas a mais. Brasília e Salvador estão multando quase cinco vezes mais. Teresina (PI) e Palmas (TO), capitais onde quase não se encontraram motoristas alcoolizados em 2007, incrementaram operações pente-fino. Apenas Curitiba manteve a média do ano anterior, mas não registrou avanços na redução de mortes.
O estudo mostra que a Lei Seca não teve o mesmo impacto em todas as capitais. Enquanto o Rio reduziu o número de vítimas, Manaus (AM), Cuiabá (MT), Belém (PA), Curitiba (PR) e Rondônia (RO) registraram mais mortes. Mas no Rio, apesar de o número de vítimas ter caído, a quantidade de acidentes não fatais aumentou: passou de 4.258 para 4.341, diferentemente de Palmas, onde o número de feridos foi reduzido em 55%.
A capital do Tocantins figura na lista como a mais rigorosa no combate à direção irresponsável. Os resultados de São Paulo, capital com o maior número de carros do País, não trazem diferenças significativas em relação ao período sem Lei Seca.