Rio - O Órgão Especial do Tribunal de Justiça aceitou ontem nova denúncia contra o deputado estadual Natalino José Guimarães, seu sobrinho, Luciano Guimarães Guinâncio, e outros quatro acusados de integrar a milícia Liga da Justiça. Por 21 votos a zero, os desembargadores decidiram que o grupo vai responder por formação de quadrilha, resistência qualificada e porte ilegal de arma.
Na denúncia, eles são acusados de fazer reunião de mílicia na casa do deputado, na Zona Oeste. Dos seis réus, quatro — Natalino, Luciano, Fábio Pereira de Oliveira, o Fábio Gordo, e o PM Moíses Ferreira Maia, o Chopão — estão aguardando julgamento na Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Também constam no processo o assessor do deputado na Assembléia Legislativa, Júlio Cesar Pereira da Costa, e o motorista Rogério Alves de Carvalho. A presença deles no TJ motivou um esquema especial de segurança. Dois carros blindados e cerca de 200 homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) fizeram a escolta . O maior receio era de resgate. Tanto que a fuga de Bangu 8 do ex-PM acusado de ser o pistoleiro da Liga da Justiça, Ricardo Teixeira Cruz, o Batman, foi lembrada durante a audiência e serviu para indeferir o pedido da defesa de Natalino para que ele pudesse ter alguns minutos com a família depois da sessão.
Cadeia muda a aparência de deputado
Mais magro e com o cabelo raspado, o deputado Natalino José Guimarães não demonstrou o mesmo entusiamo da sua última aparição no TJ. Na ocasião, ele levantou as mãos algemadas e se disse inocente. Desta vez, preferiu o silêncio. Emocionado, gesticulou para a mulher, que chorou ao vê-lo. Irmã de Luciano Guinâncio e sobrinha do parlamentar, a vereadora eleita Carminha Jerominho (PTdoB) também esteve no tribunal e disse que o tio deve renunciar ao cargo nos próximos dias.
Com isso, ele perderia o foro especial e o caso seria transferido para a primeira instância do TJ, na qual um juiz analisaria novamente a denúncia do Ministério Público.