Daniela Cadavez e Christina Nascimento
Rio - O deputado estadual Natalino José Guimarães renunciou ao seu mandato na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, nesta terça-feira.
Foi lida no plenário da Assembléia Legislativa, pela deputada Graça Matto a carta de renúncia do mandato de parlamentar. Agora, ela passa a ser ex-deputado.
Com a decisão, Natalino, que é apontado pela polícia como um dos líderes da organização criminosa "Liga da Justiça", deixa de ter foro privilegiado. Os processos que ele responde por formação de quadrilha, porte ilegal de arma e resistência qualificada deixam de tramitar no Órgão Especial do Tribunal de Justiça (TJ-RJ), o que deve atrasar o processo.
Denunciado por unanimidade
O Órgão Especial do Tribunal de Justiça aceitou nesta segunda nova denúncia contra o deputado, seu sobrinho, Luciano Guimarães Guinâncio, e outros quatro acusados de integrar a milícia Liga da Justiça. Por 21 votos a zero, os desembargadores decidiram que o grupo vai responder por formação de quadrilha, resistência qualificada e porte ilegal de arma.
Na denúncia, eles são acusados de fazer reunião de mílicia na casa do deputado, na Zona Oeste. Dos seis réus, quatro — Natalino, Luciano, Fábio Pereira de Oliveira, o Fábio Gordo, e o PM Moíses Ferreira Maia, o Chopão — estão aguardando julgamento na Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.
Também constam no processo o assessor do deputado na Assembléia Legislativa, Júlio Cesar Pereira da Costa, e o motorista Rogério Alves de Carvalho. A presença deles no TJ motivou um esquema especial de segurança. Dois carros blindados e cerca de 200 homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) fizeram a escolta . O maior receio era de resgate. Tanto que a fuga de Bangu 8 do ex-PM acusado de ser o pistoleiro da Liga da Justiça, Ricardo Teixeira Cruz, o Batman, foi lembrada durante a audiência e serviu para indeferir o pedido da defesa de Natalino para que ele pudesse ter alguns minutos com a família depois da sessão.
Cadeia muda a aparência de deputado
Mais magro e com o cabelo raspado, o deputado Natalino José Guimarães não demonstrou o mesmo entusiamo da sua última aparição no TJ. Na ocasião, ele levantou as mãos algemadas e se disse inocente. Desta vez, preferiu o silêncio. Emocionado, gesticulou para a mulher, que chorou ao vê-lo. Irmã de Luciano Guinâncio e sobrinha do parlamentar, a vereadora eleita Carminha Jerominho (PTdoB) também esteve no tribunal e disse que o tio deve renunciar ao cargo nos próximos dias.
Com isso, ele perderia o foro especial e o caso seria transferido para a primeira instância do TJ, na qual um juiz analisaria novamente a denúncia do Ministério Público.