Christina Nascimento e João Antônio Barros
Rio - Um dia após ser denunciado em novo processo por formação de quadrilha, porte ilegal de arma e resistência qualificada, Natalino José Guimarães, acusado de ser um dos líderes da mílicia Liga da Justiça, entregou sua carta de renúncia ao mandato de deputado à Assembléia Legislativa. O pedido serve para retardar o trabalho da Justiça, já que o processo sairá do Órgão Especial para a vara criminal comum. Para os integrantes da CPI das Milícias, a renúncia é mais um sinal de que os paramilitares sentiram o cerco se fechando, já que aproximava-se uma condenação rápida no Tribunal de Justiça e a perda dos direitos políticos.
No documento entregue à presidência da Alerj, Natalino alega que, “sem o cargo parlamentar, vai conseguir melhor se defender e receber tratamento adequado, já que preso está incomunicável e sofrendo humilhação e tortura física e moral”. A direção da Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, onde Natalino está detido, afirmou que a disciplina é rígida, mas negou tratamento desumano ao preso.
“Não há dúvidas de que é manobra jurídica. Ele avaliou que a situação não era das melhores. É a resposta do poder público às milícias”, defende Marcelo Freixo, presidente da CPI. A renúncia foi lida em plenário pela deputada Graça Mattos (PMDB) e hoje será publicada no Diário Oficial. A vaga de Natalino vai ser ocupada por João Pedro (DEM), que já estava exercendo atividade parlamentar como suplente. Para o seu lugar, vai Rafael Freitas (DEM).
Natalino é um dos citados na série de reportagens “Dossiê Milícia”, de O DIA, e foi indiciado pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro e extorsão. Natalino também responde a dois processos por envolvimento com mílicia. Com a renúncia, eles serão distribuídos a varas criminais e terão de ser reiniciados. Na avaliação de especialistas, com a manobra, o ex-deputado só será julgado em um ano. Se permanecesse no cargo, a decisão ocorreria em 90 dias. No processo, também é réu o vereador Jerônimo Guimarães Filho (irmão de Natalino). Segundo o corregedor da Alerj, Luís Paulo Corrêa da Rocha (PSDB), ao evitar o proceso e a cassação , Natalino fica livre para se candidatar novamente em 2010.
PM expulsa três acusados de integrar milícia
Três policiais militares acusados de integrar a milícia que dominava a Favela da Palmeirinha, em Guadalupe, foram expulsos da corporação. Presos há oito meses pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), dois soldados e um cabo foram submetidos ao Conselho de Disciplina e considerados culpados. A decisão foi publicada no Boletim da Polícia Militar , na segunda-feira.
De acordo com investigações da Draco-IE, o soldado Fabrício Fernandes Mirra, do Batalhão Ferroviário (BPFer), chefiava o grupo de milicianos que conduzia com mãos-de-ferro, além da Palmeirinha, as favelas de Fernão Cardim, Águia de Ouro, do Guarda e Belém-Belém, em Del Castilho. Para isso, eles cobravam de R$ 10 a R$ 50 de moradores, comerciantes e topiqueiros. Taxavam ainda gás, TV a cabo clandestina e a compra de imóveis. Com mandado de prisão preventiva decretado pela Justiça, Mirra se entregou à polícia no dia 4 de abril.
Além de Mirra, a PM expulsou ainda o cabo do 2º BPM (Botafogo) Alexander Dantas Mello da Silva, o Pêra, apontado como sócio de Mirra, e o soldado Marcos Gregório da Silva, o Zero, lotado no Grupamento Especial de Policiamento de Estádios (Gepe). (Colaborou Andréa Uchôa)
POLÍCIA ESTOURA DEPÓSITO DE GÁS DE ‘BATMAN’
A polícia estourou na noite de ontem um depósito de gás que pertencia ao ex-policial militar Ricardo Teixeira Cruz, o Batman, foragido desde o dia 27 de outubro, quando fugiu de Bangu 8 pela porta da frente. O depósito ficava em um sítio com cerca de 5 mil metros quadrados na Estrada do Magarça 6.846, em Campo Grande. No local, foram apreendidos cerca de 1.300 botijões de gás, caminhão para transporte da mercadoria, dois radiotransmissores e uma máscara do personagem Batman. O que mais surpreendeu os policiais foi uma sala, com cerca de 70 metros quadrados, totalmente pintada de preto e com paredes decoradas com desenhos de super-heróis. Ainda havia personagens sendo pintados nas paredes, mas já estavam prontas ilustrações do Capitão América e do Homem-Aranha. Segundo a polícia, o local — apelidado de Sala de Justiça — seria usado como escritório central da milícia Liga da Justiça, à qual Batman seria ligado. “Chegamos até o depósito com investigações sobre o paradeiro de Batman, hoje o principal alvo da Polinter", disse o delegado Marcus Neves. O dono do depósito, segundo investigações, seria o agente penitenciário Marcus Vinícius Tavares Gavião, o Playboy, que teria recebido R$ 400 mil para facilitar a rebelião ocorrida em 11 de setembro de 2002, em Bangu 1. A polícia tenta agora localizar Playboy para interrogá-lo.