João Antonio Barros e Thiago Prado
Rio - Para a Secretaria de Segurança, eles são policiais investigados por ligações com o crime organizado. Na Junta Comercial e no Cartório de Pessoa Jurídica, porém, constam como empresários de sucesso. Os homens de ouro da milícia são donos de bem mais do que luxuosas residências, como O DIA mostrou ontem: eles também têm empresas e prósperos negócios, alguns nas mesmas comunidades em que comandariam o esquema do estado paralelo.
Os empreendimentos chamaram a atenção da Polícia Federal (PF): a Delegacia Fazendária vai abrir inquérito para investigar se os negócios são usados para a lavagem de dinheiro.
Um exemplo está em Gardênia Azul, onde o bombeiro Cristiano Girão — investigado por ligação com a milícia local — declara participação em três empresas. Um dos negócios é o Lava-a-Jato Mister M Ltda, em Jacarepaguá, que fatura oficialmente R$ 26 mil por ano. A Cedae descobriu, em maio, ligação clandestina de água naquele comércio. E estimou que a loja lavava mais de 40 carros por dia, o que dobraria a sua receita.
O carro-chefe dos negócios do militar até 2006 eram duas empresas: a C.Fort Lajes e a Girão Madeiras, que, em dois anos, sofreram queda brusca nos seus ganhos. De 2005 para 2006, a receita das duas caiu de R$ 300 mil para R$ 70 mil. No entanto, os rendimentos em queda não fizeram com que Girão mudasse seus padrões de vida: mora na Avenida Sernambetiba, na Barra, e mantém cinco carros, além de fazenda em Silva Jardim com 100 cabeças de gado.
Outro empreendimento que será analisado pela PF é o restaurante Estação Azul, em Rio das Pedras. Nada menos do que quatro investigados por ligações com a milícia já foram donos dele. Entre eles, o inspetor Félix dos Santos Tostes, assassinado no ano passado com 34 tiros. Sua braço-direito, a jornalista Débora Farah, era sócia majoritária até o final do ano passado. O negócio também já teve como donos os irmãos Dalmir (PM reformado) e Dalcemir Pereira Barbosa (jornalista), também investigados por ligações com a milícia de Rio das Pedras.
Já a Protec Serviços é observada pela constante mudança de endereço no contrato social. Outro detalhe: na sede atual da empresa, uma sala no Centro do município de Rio Bonito, não há vestígio algum de que ela funcione ali, que é o endereço que consta no cadastro da Receita Federal na Internet. No endereço anterior, na Barra, as lojas estão alugadas em nome de outras pessoas ou fechadas e disponíveis para serem alugadas. Já foi sócio da empresa o capitão Epaminondas Queiroz de Medeiros Jr. Atualmente, está em nome de sua mulher, Gláucia.
SÓCIOS E AMIGOS
A mulher do tenente-coronel Claudio de Almeida Neto — responsável pelas câmeras da Secretaria de Segurança instaladas na cidade e o sistema 190 —, foi sócia, até março do ano passado, da esposa do major Dilo Pereira Soares, investigado por ligação com a milícia de Rio das Pedras. As duas criaram a Duo Assessoria e Planejamento Ltda, com capital social registrado de R$ 20 mil. Com a saída da mulher de Dilo, o próprio Almeida Neto passou a figurar no quadro societário da empresa.
Procurado, o tenente-coronel afirmou que ele e sua esposa são amigos de longa data de Dilo. Segundo ele, a Duo Assessoria e Planejamento é uma empresa de consultoria do ramo de arquitetura.