Rio - Acusado de liderar a ‘Liga da Justiça’ e de ter comandado esta semana ataque à Favela do Barbante, Campo Grande, o ex-PM Luciano Guinâncio Guimarães — filho do vereador Jerônimo Guimarães, o Jerominho —, é hoje o principal alvo da polícia no Rio.
Confira os vídeos:
Versão do delegado muda toda hora
Não matei meu futuro compadre
Não me entrego porque tenho medo
Violência não traz voto
Em entrevista exclusiva a O DIA, ele negou o envolvimento com a organização criminosa, garantiu que estava fora do Rio quando ocorreu a chacina e afirmou que, por trás das acusações feitas pelo delegado da 35ª DP (Campo Grande), Marcus Neves, há motivação pessoal e política.
No início da noite, agentes da Delegacia de Roubos e Furtos de Automovéis (DRFA) apreenderam uma picape blindada que, segundo Neves, teria sido usada por Luciano no ataque ao Barbante. O veículo, que consta como roubado, estava no estacionamento de um conjunto residencial em Campo Grande. A polícia chegou a ter informações de que o filho de Jerominho estava no local, mas ele não foi localizado.
Luciano seria um dos 17 autores da chacina — 13 deles já identificados —, de acordo com as investigações da delegacia de Campo Grante. O ex-PM também é acusado de fazer parte de um grupo de 47 integrantes da milícia que dominava Campo Grande, identificados pela 35ª DP, que ainda estão soltos, segundo o delegado-adjunto Eduardo Soares.
“Há 19 inquéritos sobre a atuação dos milicianos, com 16 pedidos de prisão preventiva. Porém, tudo tem que seguir para a Procuradoria Geral de Justiça, pois aparece o nome do deputado Natalino Guimarães, que possui foro privilegiado”, explicou Soares.
A Alerj ainda não tem data para abrir o processo de cassação de Natalino por quebra de decoro. Ontem, o corregedor Luiz Paulo (PSDB) recebeu documentos da CPI das Milícias sobre o envolvimento do deputado com paramilitares da Zona Oeste. O Tribunal de Justiça e o Ministério Público já entregaram a documentação. Falta apenas receber cópia do processo que levou à demissão de Natalino da Polícia Civil.
A falta de pressa da Alerj seria uma estratégia da Casa para aguardar uma decisão da Justiça. Se Natalino for cassado antes de a Justiça se pronunciar, o caso, hoje no Órgão Especial do Tribunal de Justiça, iria para a Vara de Campo Grande e poderia retardar as investigações.
Ontem, um dia após a morte de dois supostos traficantes na Favela da Carobinha, em Campo Grande, quatro escolas suspenderam as aulas e um mercado foi saqueado pela terceira vez por ordem de bandidos. O estabelecimento teria sido alvo porque um ex-funcionário teria ligação com a milícia.
Moradores temem novos confrontos entre integrantes da facção Amigos dos Amigos (ADA), que ocuparam a comunidade, e milicianos. O clima de medo também se repete na Favela do Barbante, onde a PM reforçou o patrulhamento.
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