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25/3/2008 01:05:00

O cobertor curto da PM

Maioria das unidades da Polícia Militar tem efetivo aquém do considerado ideal. Quadro é mais grave nos batalhões de bairros do subúrbio e da Zona Norte

Andréa Uchôa
andrea.uchoa@odianet.com.br
Thiago Prado
thiago.prado@odianet.com.br

Rio - Na distribuição de efetivo na capital, a Polícia Militar privilegia a Zona Sul e as área centrais em detrimento do subúrbio e Zona Norte. Dos 16 batalhões no Rio, apenas quatro obedecem à distribuição de um PM para cada 250 habitantes — considerada a ideal, segundo estudos de órgãos de segurança nacionais e internacionais. As unidades do Centro (Praça da Harmonia e Tiradentes), onde existem sedes de empresas e bancos e há grande população que só fica no horário de trabalho, estão entre elas. Enquanto isso, os batalhões do Méier, Rocha Miranda, Bangu e Olaria — localizados em áreas com forte atuação do tráfico de drogas e milícias — estão muito longe de atingir o padrão satisfatório.

Dados a que O DIA teve acesso no Departamento Geral de Pessoal (DGP) da PM mostram ainda que nem o efetivo divulgado constantemente pela corporação está correto: ao contrário dos 39 mil homens anunciados pelas autoridades, a PM tem hoje exatos 37.802 praças e oficiais para patrulhar as ruas. Solicitadas, as informações da distribuição do efetivo foram negadas pela assessoria da PM. A Secretaria de Segurança informou que não cabe à imprensa discutir o assunto “estratégico”.

No quesito PM por habitante, por pouco os batalhões do Leblon (23º BPM), Copacabana (19º BPM) e Botafogo (2º BPM) não atingem o patamar ideal. A renda per capita dos três bairros está entre as maiores da cidade. Para a socióloga Julita Lemgruber, diretora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, o correto seria distribuir os PMs de acordo com os índices de criminalidade:

"Nas áreas turísticas eles acabam concentrando efetivo maior e a polícia não nega isso. Até porque as autoridades são as primeiras a dizer que um crime na Zona Sul tem repercussão muito maior na mídia do que em outros lugares”, afirmou, em referência a uma frase dita no ano passado pelo secretário José Mariano Beltrame.

Batalhões da Baixada Fluminense e Interior do Estado também têm índices de ostensividade bem baixos. Belford Roxo e Mesquita, que são os campeões da falta de policiais por habitante, ainda perderam homens na comparação de março deste ano com o mesmo mês de 2007. Duque de Caxias e São Gonçalo completam a parte inferior do ranking.

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