Motorista conta que pane mecânica deixou o veículo fora de controle. Mais quatro se feriram
Rio - Um ônibus da linha 175 (Central-Recreio), da Viação Amigos Unidos, atropelou cinco pessoas na calçada na Avenida Visconde de Niterói, na Mangueira, por volta das 6h15 de ontem. A pedagoga Patrícia Daniela da Silva, 33 anos, foi esmagada e morreu na hora. O motorista Marcos Similiano Barbosa, 34 anos, alegou que perdeu o controle do veículo devido a falha mecânica. Ele será indiciado por homicídio culposo (sem intenção). As outras quatro vítimas se feriram sem gravidade e foram socorridas no Hospital Souza Aguiar, no Centro do Rio.
Momentos antes do atropelamento, o ônibus bateu e arrastou o Fiat Uno GSE-2926, que também parou na calçada. Ocupantes do carro, o casal Isolina Silveira da Silva e Carlos José da Silva contou que ele não estava em alta velocidade. “Fiquei com muito medo. Eu e meu marido nascemos de novo”, desabafou Isolina, a quem o motorista de ônibus contou que a barra de direção havia quebrado. Ela e o marido não se machucaram. Mas por pouco a drama não foi ainda maior: o acidente foi próximo a uma escola.
Patrícia estava no ponto de ônibus com o namorado José Roberto da Silva, 31 anos, quando foram atingidos. A vítima morava em Duque de Caxias e trabalhava em creche em Costa Barros. Ela passava todos os finais de semana na casa do namorado, na Mangueira.
A 70KM/H
O motorista do ônibus afirmou em depoimento na 17ª DP (São Cristóvão) que estava na Avenida Bartolomeu de Gusmão quando notou que a direção do coletivo virava para a direita sem que ele pudesse controlar essa manobra. O veículo estava sem passageiros. Segundo testemunhas, ele trafegava em velocidade aproximada de 70 km/h. Marcos é condutor profissional há 16 anos e afirmou em seu depoimento nunca ter se envolvido em acidentes de trânsito.
A empresa Amigos Unidos não quis se pronunciar sobre o acidente. Segundo o Rio Ônibus (Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro) as empresas têm dois sistemas de manutenção: um preventivo e outro corretivo.
PROJETO AUMENTA PARA 12 ANOS PENA PARA QUEM PROVOCAR MORTE
Projeto de lei que aumenta para até 12 anos a pena para motoristas que provocarem mortes será analisado amanhã pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O alvo são motoristas que dirigirem embriagados ou participarem de ‘pegas’.
Se aprovado, o projeto do senador Cristovam Buarque (PDT), que determina a classificação do ato como doloso (com intenção), será encaminhado para a Câmara de Deputados. A medida prevê comunicado imediato à Justiça para que a carteira do motorista seja cassada e o condutor, preso.
Hoje, a pena máxima para o delito são três anos de prisão — o ato é qualificado como culposo (sem intenção). Em 2007, acidentes no estado deixaram 35.405 feridos e 2.815 mortos. Para o presidente do Detran-RJ, Sebastião Faria, a fiscalização é a melhor forma de evitar acidentes. Desde 2001, o Detran instaurou 11.275 processos e puniu 1.535 motoristas. Este ano, foram 61 processos instaurados e 121 habilitações cassadas. Em um mês, o órgão espera concluir processo que permitirá à PM acessar essas informações em computadores de mão.