Rio - Atacante do Milan, Ronaldo Fenômeno pode levar cartão vermelho da Organização das Nações Unidas (ONU). Nomeado embaixador da entidade na luta contra a pobreza e a fome no Terceiro Mundo em 2000, o jogador pode perder o título em conseqüência dos prejuízos provocados à sua imagem devido ao escândalo com travestis na Barra da Tijuca, dia 28. O gol contra do jogador também está tirando o sono do prefeito de Resende, Sílvio Costa de Carvalho (PMDB). Ele contava com a influência do craque para trazer indústria automobilística para a cidade do Sul Fluminense.
Carvalho admitiu estar preocupado com a possibilidade de o escândalo atrapalhar as negociações entre o governo do estado, o município e montadora japonesa Toyota. Ronaldo seria garoto-propaganda e parceiro do projeto. A empresa nega, e o estado preferiu não comentar. Assessoria do craque afirma que ele não corre risco de perder título da ONU.
Da sede da ONU em Nova Iorque, Estados Unidos, dirigentes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) — ao qual o Fenômeno é ligado — acompanham as investigações da polícia do Rio e aguardam a conclusão do inquérito para decidir o futuro do craque na entidade.
Em entrevista a programa de televisão domingo, Ronaldo admitiu que “o ato estúpido” que cometeu comprometeu sua imagem: “Mancha para sempre”. Ontem, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) se apressou em divulgar nota corrigindo informação da televisão, que apresentou Ronaldo como embaixador da agência. Segundo o comunicado, a menção ao nome do Fundo “foi um equívoco”.
Primeiro brasileiro a receber o título de embaixador da ONU, Ronaldo empresta sua imagem a campanhas da entidade pela paz desde 1998. Em 2000 esteve em Kosovo, na Europa, arrasado por guerra. Também foi a Israel e Palestina, em 2005, participar de ação pacifista para unir de povos afastados por décadas de conflitos.