Rio - Peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) conseguiram mapear o DNA da engenheira Patrícia Amieiro Franco — desaparecida desde a madrugada de 14 de junho — através de uma mancha de sangue encontrada em uma calça da jovem. Com esse novo elemento começa mais uma etapa da investigação. Eles pretendem comparar o material genético com todas as manchas de sangue identificadas em duas viaturas da Polícia Militar, em dois carros apreendidos de dois PMs suspeitos e no veículo da engenheira.
A calça foi entregue aos técnicos pelos pais de Patrícia, Celso e Tânia Franco. Os peritos foram à casa da família para procurar vestígios que ajudassem no trabalho. O idéia inicial era coletar fios de cabelo da escova usada pela engenheira.
Segunda-feira, os peritos Marcos Luiz Gonçalves e Lui Tsun Yaei — transferidos no dia seguinte para Petrópolis e Duque de Caxias, como o ‘Informe do DIA’ noticiou ontem — entregaram laudo final do carro de Patrícia e constataram duas perfurações provocados por armas de fogo. O primeiro laudo, feito por uma perita, analisou o caso como acidente de trânsito. O diretor do Departamento de Polícia Técnica, delegado Walter Barros, disse que foi instaurado processo administrativo para apurar a falha. O laudo balístico, feito com oito pedaços de projéteis, foi inconclusivo.
Vestígios de chumbo e cobre
O laudo dos peritos Marcos Luiz e Lui Tsun aponta que um tiro atingiu o capô do motor e o outro, a tampa onde do auto-falante. Um microscópio do Exército revelou vestígios de chumbo e cobre nas perfurações, material diferente da composição do automóvel. Laudo do Exército foi anexado ao documento do ICCE. Antes da segunda perícia, funcionários de uma seguradora de veículos descobriram as marcas de disparos e avisaram à família.
A transferência dos peritos provocou polêmica e embaraço na Polícia Civil. Os peritos não quiseram comentar o caso. Mas o pai da engenheira, Celso Franco, acusa o chefe de Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, de encobrir provas por interesse político.
“Tudo que poderia ter sido feito para atrapalhar foi feito. Os laudos iniciais não chegavam porque colocaram no correio sabendo que estava em greve. E depois mandam para bem longe quem estava ajudando. Fizeram tudo para não incriminar os PMs porque a questão virou política. O chefe de Polícia está preocupado em não perder o cargo e proteger a PM. O caso da minha filha aconteceu quando a PM estava fazendo várias trapalhadas nas ruas e, se ficasse comprovado mais uma, talvez iam acabar caindo”, disse.
Gilberto não comentou a acusação. O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, disse que as transferências — que somaram 210 peritos — foram para reforçar unidades no Interior.