Rio - Trinta e cinco mil reais, além de documentos e o contrato social de uma das empresas usadas para lavar dinheiro da quadrilha do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, foram encontrados ontem em um dos cofres apreendidos na Operação Fênix, da Polícia Federal (PF). O material será encaminhado à PF de Curitiba, que concentrou as investigações. O dinheiro, segundo a PF, já foi depositado em conta da Caixa Econômica Federal.
O cofre estava no JJ Lavajato, de Jorge Ribeiro Júnior, o Júnior, sócio de Beira-Mar em um de seus estabelecimentos na Favela Beira-Mar, Caxias. Júnior foi apontado como um dos braços operacionais de Jaqueline Alcântara de Moraes, mulher do Beira-Mar e a número dois na organização. Além do lava-a-jato, um depósito de gás e duas LAN house, também alvos de buscas da PF, eram usadas para lavar dinheiro da quadrilha na comunidade.
O segundo cofre, encontrado na casa de Marcela Borradas, cunhada de Jaqueline e uma das presas na operação, estava vazio. Os dois cofres foram abertos na Superintedência da PF do Rio, na Praça Mauá.
Também ontem, a PF começou a desgravar, com autorização da Justiça, as escutas telefônicas clandestinas que, durante três meses, permitiram a Jaqueline monitorar as conversas da então rival, Elizete da Silva Lira, ex-mulher de Beira-Mar. Pelo menos 50 CDs dos grampos foram encontrados em poder de Jaqueline e Marcela. O objetivo era provar a Beira-Mar que Elizete o traía.
No entanto, as conversas revelam muito mais do que as traições e comprometem ainda mais o traficante. Nelas, Elizete fala de assassinatos cometidos a mando de Beira-Mar e dá detalhes de locais, nomes e motivação.
Como os CDs foram apreendidos durante os cumprimentos de mandados de prisão e de busca e apreensão, as provas podem ser usadas na investigação.