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29/5/2008 08:40:00

PF: Operação Segurança Pública S/A prende deputado Álvaro Lins

Outros sete mandados de prisão e 16 de busca e apreensão são cumpridos no Rio

Última atualização às 19h30

Rio - A Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal no Rio de Janeiro deflagrou na manhã desta quinta-feira a Operação Segurança Pública S/A. O objetivo foi cumprir sete mandados de prisão preventiva e 16 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

Ex-chefe de Polícia Civil no governo Anthony Garotinho, o deputado estadual Álvaro Lins (PMDB) foi preso em flagrante por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha armada, corrupção passiva e facilitação ao contrabando. Outras cinco pessoas foram presas, incluindo dois inspetores da Polícia Civil, e ainda há dois foragidos.

A prisão do deputado estadual Álvaro Lins só foi possível em razão do flagrante delito referente aos crimes de lavagem de dinheiro, pois a imunidade parlamentar não permite a decretação de sua prisão preventiva. O imóvel em que ele estava teria sido comprado com dinheiro ilícito. De acordo com o Ministério Público Federal, ele gastava entre R$ 25 mil e R$ 30 mil todos os meses, embora recebesse salário de R$ 7 mil de deputado estadual.

Além de Lins, foram presos em flagrante o sogro dele, Francis Bullos, a ex-mulher dele, Luciana Gouveia dos Santos e o delegado Alcides Campos Sodré Ferreira. Bullos e Luciana são acusados de ter atuado como “laranjas” no esquema de lavagem de dinheiro.

O delegado Luis Carlos dos Santos, chefe do gabinete de Álvaro Lins na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) se entregou na noite desta quinta-feira. Ainda estão sendo procurados o policial Helio Machado da Conceição, mais conhecido como Helinho, e o também ex-chefe de Polícia Civil Ricardo Hallak.

Tranqüilidade ao ser algemado

Advogados de Álvaro Lins chegam na casa do deputado para acompanhar a prisão | Foto: Severino Silva / Agência O Dia

O deputado estava no apartamento dele, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, e foi levado em um carro da PF para a superintendência do órgão, na Praça Mauá, Centro da cidade. Os policiais chegaram na casa, na Rua 5 de Julho, por volta das 6h. Eles apreenderam documentos, celulares, um computador e objetos pessoais. O mesmo foi feito no gabinete do deputado, na Alerj.

Um dos advogados de Álvaro Lins, Harina Araújo (foto), disse que desconhece todas as acusações que pesam contra o deputado. Segundo ele, Álvaro reagiu à prisão com muita tranqüilidade, pois sabe que é inocente. Segundo a Globonews, Lins declarou que suspeita que o delegado Alexandre Neto tenha feito denúncias contra ele. Neto foi vítima de um atentado a tiros em Copacabana, em setembro de 2007, e apontou Lins como autor do ataque.

Garotinho denunciado

Laptop é apreendido na casa do casal Garotinho, em Campos | Foto: Folha da Manhã

O ex-governador Anthony Garotinho foi denunciado pelo crime de formação de quadrilha armada. Ele é acusado de garantir politicamente a manutenção do grupo de Álvaro Lins à frente da Polícia Civil.

Agentes da PF realizaram buscas em dois endereços de Garotinho no Rio, em Laranjeiras e no Flamengo, na Zona Sul. Em Campos, no Norte Fluminense, somente funcionários foram encontrados na casa. Eles deixaram a residência com um lap top (foto).

Em entrevista a uma rádio em Campos, o ex-governador se disse surpreso com a operação e que não tem o que temer.

Policiais civis envolvidos

Na operação Segurança Pública S/A tiveram a prisão preventiva decretada, para garantia da ordem pública e da instrução criminal, segundo a Procuradoria da República no Estado do Rio de Janeiro, os policiais civis Ricardo Hallak, Alcides Campos Sodré Ferreira, Fábio Menezes de Leão, Helio Machado da Conceição, Jorge Luiz Fernandes, Luiz Carlos dos Santos e Mário Franklin Leite Mustrange de Carvalho.

Foto: Carlos Moraes / Agência O Dia

Alcides Campos Sodré Ferreira foi preso em casa (foto), no Condomínio Vivendas Bandeirantes, na Taquara, Zona Oeste.

Fábio Menezes de Leão, Helio Machado da Conceição, Jorge Luiz Fernandes são os chamados "inhos". Jorginho e Fabinho já estão presos no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste, e receberam a notificação no presídio. Helinho estava sob proteção de habeas-corpus.

Polícia descobre todo o esquema

A Operação Segurança Pública S.A. decorre da continuação de apurações das operações Gladiador e Hurricane, desencadeadas pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal, da quebra de sigilo fiscal de Álvaro Lins e de investigações posteriores de documentos colhidos pela PF.

A quadrilha era responsável pelos crimes de facilitação de contrabando, por não reprimir a atividade de exploração de máquinas caça-níqueis pelo grupo criminoso de Rogério Andrade, e de corrupção ativa e passiva, relacionados diretamente com as atividades de delegacias estratégicas, notadamente a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente.

"O Ministério Público Federal está convicto de que uma organização criminosa atuou durante mais de seis anos no governo do Estado do Rio, especificamente na Secretaria de Segurança Pública. Nesse período, um grande grupo de policiais civis sentiu-se livre para intimidar diversos infratores em detrimento da segurança pública. Em várias delegacias, os denunciados faziam vista grossa a condutas ilegais em troca de altas quantias", afirma o procurador regional da República Maurício da Rocha Ribeiro.

Patrimônio obtido criminosamente

A investigação ainda apontou vários crimes de lavagem de dinheiro, em que Álvaro Lins se valeu de familiares e outras pessoas para ocultar a origem do patrimônio obtido criminosamente. Esse grupo era formado por seis dos denunciados: Francis Bullos (vereador em Barra Mansa), Sissy Toledo de Macedo Bullos Lins, Vanda de Oliveira Bullos, Amaelia Lins dos Santos, Maria Canali Bullus e Luciana Gouveia dos Santos.

Além de oferecer denúncia, que está sob sigilo de Justiça, e pedir as buscas e apreensões, o MPF obteve o seqüestro dos bens ocultados por Álvaro Lins devido à lavagem de dinheiro. Uma vez apresentada a denúncia, os acusados terão um prazo de 15 dias para sua defesa preliminar. Em seguida, o desembargador relator do caso levará a denúncia ao corpo de todos os magistrados do TRF-2, que apreciará a denúncia para dar início ao processo penal.

Confira a lista dos crimes de cada denunciado

Álvaro Lins dos Santos: lavagem de dinheiro, formação de quadrilha armada, facilitação de contrabando e corrupção passiva.

Anthony Willian Garotinho: formação de quadrilha armada.

Ricardo Hallak: lavagem de dinheiro, formação de quadrilha armada, facilitação de contrabando e corrupção passiva.

Alcides Campos Sodré Ferreira: corrupção ativa.

Daniel Goulart: formação de quadrilha armada.

Fábio Menezes de Leão, Helio Machado da Conceição e Jorge Luiz Fernandes: facilitação de contrabando.

Luiz Carlos dos Santos: formação de quadrilha armada e corrupção ativa.

Mário Franklin Leite Mustrange de Carvalho: lavagem de dinheiro, formação de quadrilha armada, facilitação de contrabando e corrupção passiva.

Francis Bullos: lavagem de dinheiro e formação de quadrilha armada.

Sissy Toledo de Macedo Bullos Lins, Vanda de Oliveira Bullos, Amaelia Lins dos Santos, Maria Canali Bullos e Luciana Gouveia dos Santos: lavagem de dinheiro.

Leia também:
Álvaro Lins já se envolveu em vários escândalos
Conheça a trajetória profissional de Álvaro Lins

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