Rio - Policiais do 16º BPM (Olaria) apreenderam nesta terça-feira uma metralhadora antiaérea ponto 50 na Favela Vila Cruzeiro, que integra o Complexo da Penha. Segundo um oficial do batalhão, a arma, de uso exclusivo das Forças Armadas, é capaz de derrubar helicóptero e avião e perfurar a blindagem do Caveirão e de veículos de combate do Exército.
O delegado Carlos de Oliveira, titular da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae), informou que foi a primeira apreensão desse tipo de armamento no Rio. Na quarta-feira da semana passada — segundo dia de ocupação do conjunto de favelas pela Polícia Militar —, PMs já haviam encontrado munição de ponto 50 no local.
A metralhadora foi achada em uma casa na Rua 48. Os policiais do 16º BPM chegaram ao local devido a um trabalho de investigação do Serviço Reservado da unidade. Durante o cerco à residência, dois homens chegaram a trocar tiros com os PMs, mas conseguiram fugir.
De acordo com o delegado Carlos de Oliveira, a ponto 50 custa cerca de R$ 40 mil.
Ele abrirá uma investigação para apurar a procedência da arma. O primeiro-tenente Fábio Iesim, que comandou a equipe do 16º BPM responsável pela apreensão, acredita que os bandidos esconderam o tripé da metralhadora em outro local. A munição de ponto 50 — 33 balas — foi encontrada há uma semana pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) no complexo.
Um efetivo integrado por 100 homens do Bope, com o apoio de três blindados, continua ocupando a Vila Cruzeiro. Ontem, enquanto 20 deles ficaram no Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (Gpae) do 16º BPM, no alto do morro, os demais, divididos em quatro equipes, faziam o patrulhamento a pé na favela, Quatro Bicas, Fé, Chatuba e Caixa D’Água.
'Bandeirão' intacto
O enorme pano preto com o símbolo da tropa de elite da PM no telhado de uma casa em frente ao Gpae também foi mantido no local. “É o sinal de que, agora, quem manda aqui é a Polícia Militar. Os bandidos que estavam aqui fugiram ou se enconderam dentro de suas casas. Mas nós vamos acabar por encontrá-los”, afirmou um oficial, ressaltando que não há mais baile funk na Vila Cruzeiro.
A ocupação feita pelo Bope conta com o apoio de 50 homens do 16º BPM, que fazem operações na Vila Cruzeiro, Quatro Bicas, Fé, Chatuba e Caixa D’Água. Equipes de vários batalhões e do Batalhão de Choque dão suporte à ação fazendo patrulhamento nas ruas de acesso a esses morros, efetivos de vários batalhões e do Batalhão de Choque, realizam a Operação Cêrco Amplo.
O objetivo do Bope é, além de desobstruir obstáculos colocados pelos traficantes em ruas na Vila Cruzeiro, caçar também os chefões do tráfico de drogas da área, como Fabiano Atanázio da Silva, o FB, Alexsander de Jesus Carlos, o Choque, e Mica. Na tarde de segunda-feira, homens do Bope estiveram em uma casa verde, na Rua Maragogi, onde mora Mica.
Havia informações de que ele estava escondido em um porão que mandou construir, sob a sala, onde há até ar refrigerado (no porão). Mas não tinha porão. mas a casa é dele e estava abandonada. A casa foi vasculhada e o bandido não foi encontrado.
Soldados do Bope continuam retirando barricadas e obstáculos colocados pelos bandidos em inúmeras ruas. Na Avenida Nossa Senhora da Aparecida, uma das principais de acesso ao alto do morro, dentro da favela, havia ontem muitos pedregulhos e grande quantidade de lixo, que bloqueavam as ruas e foram retirados pela Polícia Militar. “Agora só falta a Comlurb fazer o trabalho dela e vir aqui em cima retirar essa lixarada e o entulho. O lixo já está fedendo”, disse um soldado do Bope. as ruas foram desbloqueadas, mas tem que limpar.