Rio - A organização do grupo paramilitar conhecida como ‘Liga da Justiça’, que durante anos dominou favelas de Campo Grande, impressionou até a polícia. De acordo com o delegado da 35ª DP (Campo Grande), Marcus Neves, a milícia contratou um tesoureiro ‘terceirizado’ para cuidar das finanças do esquema. Segundo Neves, a milícia pode ter faturado mais de R$ 4 milhões por mês.
As informações constam da contabilidade apreendida pela polícia na casa de Ernandes Mendes Linhares Júnior, o Juninho da Padaria, preso semana passada. O delegado afirma que Juninho fora contratado pelos líderes da milícia, mas não integrava diretamente o bando.
“Ele era um prestador de serviços. Fazia a contabilidade e administrava os negócios, que eram basicamente cooperativas de vans, gatonet e depósitos de gás. As investigações apontam que, no auge do domínio da milícia, eles faturaram em torno de R$ 4,5 milhões.
Mas isso acabou depois que prendemos o Natalino (Guimarães, deputado sem partido) e o Jerominho (Jerônimo Guimarães, vereador do PMDB)”, afirmou o delegado.
Ainda de acordo com Neves, a contabilidade revela a decadência financeira da milícia: o último valor lançado nas anotações — que seria correspondente às arrecadações do esquema — foi feito há cinco meses. “E é um valor pequeno em relação ao que eles faturavam. Não conseguimos identificar quem pagava ou recebia porque está tudo registrado em códigos”, disse Neves, que enviou o material apreendido para a perícia.
O delegado disse ainda que, em um CD de funk ‘proibidão’, apreendido na casa de Juninho, bandidos fazem referência à milícia e aos seus supostos líderes. “Eles são citados por codinomes. Identificamos na letra da música que J ou General é o Jerominho. Já o Corujão é o Natalino. E identificamos o Boquinha como sendo o Luciano Guinâncio (filho de Jerominho, também preso)”, completou Neves, que anexou o CD ao inquérito.