Rio - Além de armas e drogas, os policiais civis encontraram, na operção realizada na manhã desta quinta-feira na Favela da Rocinha, São Conrado, uma prova de que o chefe do tráfico da comunidade, Antônio Francisco Lopes, o Nem, não admite a presença de outros candidatos que não o "candidato da Rocinha", como O DIA mostrou na semana passada.
Segundo a polícia, o candidato a vereador apoiado por traficantes seria Luiz Cláudio de Oliveira (PSDC), o Claudinho da Academia, presidente da União Pró-Melhoramento dos Moradores da Rocinha (UPMMR).
O documento, encontrado na casa da namorada do Nem, tem nove pontos. Em um deles, o traficante pede que os líderes comunitários não agendem visitas para outros candidatos. Em outro, reclama do Waldemar do Gás (principal vendedor de botijões na favela) pelo fato de ele não apoiar ninguém e fala em romper com ele.
No texto, Nem também diz que o William da Rocinha não tem mais autorização para falar como liderança porque teria vazado informações para uma matéria sobre toque de recolher na comunidade. A pauta mostra ainda que Nem manda no camelódromo, nas vans e no mototáxi.
Panfletagem com escolta policial
Nesta terça-feira, a candidata a vereadora Ingrid Gerolimich (PT) do Rio, foi a primeira a panfletar na comunidade, mas levou escolta policial. Ela teve que enfrentar a hostilidade de cabos eleitorais de Claudinho da Academia.
Como O DIA antecipou na última quinta-feira, a candidatura de Claudinho é investigada pela Polícia Federal, por três delegacias especializadas e pelo TRE por suspeita de ter sofrido interferência do traficante.
Um morto e dois feridos
Por volta das 6h30, cerca de 150 policiais civis chegaram à favela, houve intensa troca de tiros com grupo de 15 bandidos que seriam do Complexo de São Carlos, Zona Norte. Um morreu e outro foi ferido.
Na parte alta da favela, no local conhecido como Portão Vermelho, a empregada doméstica Maria Eva Rodrigues, de 43 anos, foi atingida nas costas e no glúteo por bala perdida. A vítima estava deitada em sua cama, quando foi alvejada. Ela foi operada no Hospital Miguel Couto, na Gávea, Zona Sul.
O filho dela, de 11 anos, disse que colocou a mãe no chão para evitar que ela fosse atingida novamente. Depois, ele começou a gritar na janela que a mãe estava morrendo. Mesmo com todo o desespero do menino, o socorro demorou 20 minutos para chegar. De acordo com a irmã da vítima, a casa de madeira de Maria Eva tem 25 perfurações à bala.
Um dos traçantes também atingiu o transformador e a fiação próximo a uma loja de colchões em um prédio de três andares, na Rua do Valão, e o local pegou fogo. O dono da loja, Eduardo Moraes Fonseca, de 44 anos, estima que o prejuízo seja de R$ 70 mil. Ele disse que os bombeiros demoraram pelo menos 20 minutos para chegar.
O delegado Allan Turnowski, responsável pelo Departamento de Polícia Especializada, disse que o objetivo da incursão era descobrir o esconderijo de bandidos e paiol de armas, além de apreender armas, drogas e recuperar veículos roubados.
Ninguém foi preso, mas a polícia apreendeu três fuzis, drogas e mochila com equipamentos para clonagem de cartão de crédito. Dois carros e pelo menos 15 motos foram recuperadas. O material será apresentado na DRFA.
Colaborou Paula Sarapu