Rio - Agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes de Saúde Pública (DRCCSP) estouraram, na manhã desta segunda-feira, uma clínica clandestina que praticava aborto, em Madureira, Zona Norte do Rio.
O médico responsável pelo estabelecimento, identificado como Bruno Gomes da Silva, não foi encontrado pela polícia. Ele e outro funcionário teriam escapado pelos fundos da clínica ao perceberem a chegada dos policiais.
De acordo com o delegado Marcos Cipriano, a informação sobre a clínica de aborto chegou através de Disque-Denúncia (2253-1177). “Nós fomos também numa outra clínica, em Bonsucesso. Tínhamos a informação de que eles faziam consultas, mas o procedimento cirúrgico seria feito em outros dois endereços, que a gente chegou a ir, mas já estavam fechados”, explicou Cipriano.
No imóvel, onde funciona a clínica Dona Beatriz, na Rua Doutor Joviniano, foram encontrados camas, material hospitalar, remédios, além de equipamentos, como desfibrilador, cilindros de oxigênio e maca ginecológica, além de diversos instrumentos cirúrgicos. Peritos constaram ainda lixo hospitar abandonado no quintal. A clínica não tem anúncio na fachada e parece uma casa comum de dois andares.
Segundo agentes que participaram da ação, há indícios de que funcionários deixaram o local assim que a polícia chegou. “Não conhecíamos o local e não sabíamos dessa saída pelos fundos. Quando entramos, havia coisas deixadas pelo chão, um rádio ligado e alimentos para o café da manhã fora da geladeira”, explicou um policial.
Apesar de não terem feito nenhuma prisão em flagrante encontrado nenhuma paciente no local, agentes atenderam pelo menos 30 telefonemas de mulheres querendo marcar consultas para abortar. O preço da consulta, segundo a polícia, era de R$ 40 e a cirurgia para a retirada do feto, R$ 450.
Três pessoas foram levadas para a delegacia, onde prestaram esclarecimentos e foram liberados: uma mulher que foi procurar uma amiga que trabalha no local; um homem que orientou uma possível paciente a não entrar porque a polícia estava lá; e umaq outra mulher que iria se consultar.
Quanto ao médico Bruno Gomes da Silva, o delegado disse que está levantando seus possíveis endereços para intimá-lo a depor. “Como não houve flagrante, temos que ouví-lo, instaurar inquérito e pedir a prisão dele pelo crime de prática de aborto”, explicou Cipriano. Segundo a polícia, o médico também vendia receitas a pacientes que sequer eram consultados.
O médico já possui duas passagens pela polícia, pelos crimes de prática de aborto e lesão corporal. Já o pai dele, que também é médico e atende pelo mesmo nome, possui 11 passagens pela polícia.