Rio - A Polícia Civil poderá fazer a reconstituição do acidente que matou, no dia 31 de dezembro, o empresário alemão Christian Martin Wölffer, 70 anos, no Saco do Mamanguá, em Paraty. Para definir se haverá necessidade da ação, o delegado da 167ª DP (Paraty), Alessandro Petralanda, vai esperar a nova perícia que será feita no local da tragédia após os depoimentos de testemunhas. O caso foi noticiado com exclusividade pelo colunista Bruno Astuto, de O DIA, semana passada.
Ontem, foi a vez de o empresário Luiz Oswaldo Pastore — dono da casa onde Wölffer estava hospedado para passar o Réveillon — e do seu vizinho, Álvaro Sobral, prestarem depoimento na Capitania dos Portos e na polícia. “Só deu para ouvir meu amigo (Wölffer) pedindo socorro. Não vi nenhuma embarcação”, afirmou Pastore, sem ajudar muito nas investigações.
Pastore também afirmou que os atores Rodrigo Hilbert e Fernanda Lima — que estavam hospedados na sua casa e tentaram socorrer o alemão — voltaram ao Rio no domingo à noite para participar de gravações. Os dois, que eram aguardados ontem na Marinha e na 167ª DP, são esperados para depor ainda esta semana. Eles poderão ajudar a esclarecer o ponto exato do mar onde o alemão foi atingido pela embarcação.
Já Sobral disse aos policiais que, no dia 31, havia uma grande movimentação de embarcações no Saco do Mamanguá, o que torna cada vez mais difícil para a polícia solucionar o caso.
Ao contrário da Capitania dos Portos, que no domingo informou suspeitar de três embarcações, o delegado Petralanda disse que está investigando apenas um bote que foi encontrado abandonado em uma marina de Angra dos Reis.
O instrutor de remo Felipe Paniza, 27 anos — apontado em uma ligação do Disque-Denúncia como o atropelador —, ainda está sendo investigado, mesmo tendo apresentado vários álibis de que não esteve em Paraty no dia do acidente. “Estamos checando o dia-a-dia do suspeito”, insiste Petralanda.
CAÇA A EMBARCAÇÕES SUSPEITAS
O laudo do Instituto Médico-Legal que chegou ontem à polícia atesta que Christian Martin Wölffer sofreu dois cortes profundos e um superficial nas costas, causando perfuração no pulmão e, depois, hemorragia interna. Como não houve qualquer hematoma no corpo, a polícia e a Marinha acreditam que um barco pequeno motorizado de, no máximo, 12 metros de comprimento, foi o responsável pelo acidente.
A Capitania dos Portos de Paraty está fazendo perícia em várias lanchas e, por eliminação, está checando quais se encaixam no perfil traçado. O problema é que há mais de três mil embarcações na cidade.